quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Galáxia mais distante já detectada

Comentario: Há alguns dias atrás a NASA anunciou uma coletiva de imprensa para anunciar uma descoberta no ramo da cosmologia (http://www.nasa.gov/home/hqnews/2011/jan/HQ_M11-015_HST_Update.html). Hoje, como publicado na Nature, astronomos liderados por Illingworth anunciaram a descoberta da galáxia mais distante detectada (a partir de fotos do Hubble). A galáxia está situada à 3,2 bilhões de anos-luz da Terra e localiza-se no céu (observado a olho nu) perto da estrelas Sírius. A nota oficial no site da NASA (http://www.nasa.gov/mission_pages/hubble/science/farthest-galaxy.html). A reportagem completa abaixo:

Um grupo de astrônomos descobriu uma galáxia que pode ser a mais distante detectada até o momento, situada a cerca de 13,2 bilhões de anos-luz da Terra, segundo estudo publicado nesta quarta-feira, 26, pela revista Nature. A pesquisa ainda não foi confirmada cientificamente, e alguns astrônomos estão céticos.
A equipe analisou imagens cósmicas registradas pelo Telescópio Espacial Hubble e calcula que a galáxia recém-descoberta tenha surgido 480 milhões de anos depois do Big Bang, quando o Universo tinha 4% de sua idade atual.
Credit: NASA, ESA, G. Illingworth (University of California, Santa Cruz), R. Bouwens (University of California, Santa Cruz, and Leiden University), and the HUDF09 Team.




(CONTINUA...)







O achado superaria o anúncio feito no ano passado por um time francês, que encontrou uma galáxia de 600 milhões de anos após a grande explosão que deu origem ao Universo. Essa descoberta também não é totalmente aceita, e um dos céticos é o coautor desse mais recente trabalho.



Para a pesquisa, Garth Illingworth, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz (EUA), e Rychard Bouwens, da Universidade de Leiden (Holanda), usaram dados reunidos pela Câmera Grande Angular 3 (WFC3) do Hubble. Com eles, os astrônomos observaram as mudanças que se produziram nas galáxias ente 480 e 650 milhões de anos depois do Big Bang. 



O grupo notou que a taxa de nascimento das estrelas cresceu cerca de dez vezes nesse período de 170 milhões de anos, o que Illingworth considerou um "aumento assombroso em um espaço de tempo tão curto, equivalente a 1% da idade atual do Universo".
Os astrônomos também registraram mudanças significativas no número de galáxias detectadas. "Nossas buscas anteriores tinham encontrado 47 quando o Universo tinha cerca de 650 milhões de anos", disse Illingworth, que acrescentou que "o Universo está mudando muito rapidamente em um curto período".

Bouwens, por sua vez, afirmou que os resultados são consistentes com a imagem hierárquica de formação das galáxias, segundo a qual elas cresceram e se uniram sob a influência gravitacional da matéria escura.
Ainda mais interessante que a idade avançada da galáxia recentemente descoberta, é a ausência de outras da mesma idade. Isso indica que a formação de estrela nesse ponto na "infância" do Universo estava acontecendo a uma taxa 10 vezes mais lenta do que seria milhões de anos mais tarde, apontou Illingworth.
Quanto mais longe está uma galáxia, mais tempo leva para a luz dela viajar pelo espaço. Por isso, ver as mais distantes é como olhar para trás no tempo. Se a nova pesquisa estiver correta, a luz da galáxia recentemente encontrada teria viajado 13,2 bilhões de anos-luz para ser vista pelo Hubble.
O novo objeto, apenas uma mancha tênue nas imagens do telescópio, é bem pequeno se comparado às enormes galáxias que podem ser vistas atualmente. A Via-Láctea, por exemplo, é mais de 100 vezes maior.
Para chegar à descoberta, os cientistas calcularam a distância de um objeto no espaço com base em seu "deslocamento rumo ao vermelho", fenômeno que ocorre quando a radiação eletromagnética - normalmente a luz visível - emitida por um objeto tende ao vermelho no final do espectro. A galáxia recém-descoberta alcançou um nível provável de "redshift" (desvio rumo ao vermelho) de 10,3 pontos.
No trabalho, os pesquisadores também descreveram outras duas galáxias com desvios para o vermelho maiores que 8,2, que era o maior valor confirmado anteriormente para qualquer objeto astronômico.
O estudo envolveu uma avaliação aprofundada dos dados de imagem coletados pelo Campo Ultra Profundo do Hubble (HUDF, em sua sigla em inglês) de uma parte do céu de cerca de um décimo do tamanho da Lua. Durante dois períodos de quatro dias, nos verões de 2009 e 2010, o telescópio apontou para um ponto minúsculo no HUDF durante uma exposição de 87 horas com câmera de raios infravermelhos.
Para ir além do desvio para o vermelho 10, os astrônomos terão que esperar pelo sucessor do Hubble - que tem 20 anos de idade e produzido cada vez mais imagens de objetos distantes e antigos -, o Telescópio James Webb (JWST), cujo lançamento pela Nasa está previsto até 2015.

Contestações  




O astrônomo Richard Ellis, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, está perturbado com a descoberta da equipe de Illingworth, que refez seu estudo original - a descoberta de três galáxias de 13,2 bilhões de anos. Os autores, segundo ele, simplesmente apareceram com uma galáxia inteiramente diferente, uma mudança difícil acreditar.
Illingworth disse inicialmente que ele e seus colegas confundiram o que poderia ter sido uma luz de bilhões de anos atrás com um "ruído" no fundo da imagem, do processo de olhar para tão longe, motivo pelo qual eles refizeram a pesquisa. O autor disse que, em seguida, encontrou a nova galáxia e viu que era mais provável de ser real que as anteriores.
"Cometemos um erro e, felizmente, tivemos formas de consertá-lo antes de divulgarmos e publicarmos formalmente o estudo", afirmou Illingworth, cujos coautores também incluíram astrônomos da Suíça.
Ellis e Henry Ferguson, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, estão preocupados porque a equipe de Illingworth usou apenas um dos vários filtros de telescópio para encontrar essa galáxia. Eles especulam que os autores podem ter achado um objeto que está muito mais perto que o anunciado.
Illingworth reconheceu que há uma chance de 20% de a mancha se tratar de "contaminação", mas tem quase certeza de que esse é um objeto verdadeiro. Ferguson disse que o autor fez um trabalho muito bom em tornar essa detecção convincente.




Fonte: NASA, Estadão OnLine e G1.

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