terça-feira, 19 de julho de 2011

Pela 1ª vez uma sonda orbita um asteróide.

Na última sexta feira, 15 de julho, um marco histórico na exploração espacial foi estabelecido. Nesta data, a sonda Dawn (alvorecer, em inglês) finalmente chegou a Vesta. Depois de viajar quase 3 bilhões de quilômetros, tomando um empurrão de Marte, essa espaçonave da NASA finalmente entrou em órbita do segundo objeto mais massivo do cinturão de asteroides do nosso Sistema Solar.
Reportagem na revista Veja, o site da missão na NASA.

Vesta tem 530 km de diâmetro e é tido com um dos objetos mais antigos do nosso sistema, constituído basicamente de basalto. Basalto esse que passou por 4,5 bilhões de anos praticamente inalterado, exceto por um forte impacto que criou uma cratera de 420 km de diâmetro e 13 km de profundidade em sua superfície. Esse impacto, na região do pólo sul de Vesta arrancou cerca de 1% de sua massa total, liberando toneladas de destroços no espaço sideral. A quantidade de material foi tamanha que ainda hoje pedaços de Vesta caem na Terra, estima-se que 5% de todos os meteoritos coletados sejam oriundos deste impacto colossal.

E por que estudar Vesta? Porque Vesta é um dos objetos mais primitivos do Sistema Solar, e assim deve conservar as características da época em que o sistema se formou. Por isso a missão se chama alvorecer: saber como eram as características do Sistema Solar no seu alvorecer. Finalizadas as manobras de inserção na órbita de Vesta (que deve durar mais três semanas) a sonda deve permanecer por um ano obtendo dados que vão desde a massa de Vesta, até saber se ela possui uma lua. Mas essa não é o único objetivo da Dawn.

Depois de um ano, a Dawn segue em direção a Ceres, o planeta anão mais próximo da Terra para um estudo semelhante. Mas neste caso, o alvo é bastante diferente. Ceres possui uma constituição semelhante a da Terra, o seu interior é diferenciado, ou seja, o material mais denso se condensou no centro, deixando o material menos denso nas camadas exteriores. Existem suspeitas que haja gelo, abaixo de uma camada de poeira e os mais empolgados acreditam que Ceres possua até mesmo calotas polares!

Por que esses dois objetos formados basicamente no mesmo local e no mesmo período de tempo podem ser tão diferentes? Esse é o segundo objetivo geral da missão: saber como foi a evolução de dois objetos que nasceram praticamente juntos e resultaram em corpos muito diferentes.

A Dawn em si já representa um marco na astronáutica. Ela possui propulsores iônicos dignos de Jornada nas Estrelas. Ao invés de usar propulsão química, como vem sendo usado até hoje, ela usa íons de xenônio acelerados por campo eletromagnético para conferir impulso e mover a nave. Esse tipo de propulsão pode levar uma nave a atingir velocidades muito maiores que as naves com propulsão química, mas os motores precisam de semanas ou mesmo meses para isso. A grande vantagem da propulsão iônica é que ela não necessita de grandes tanques para armazenar os propelentes.

Esta é só a primeira foto de muitas que ainda virão. Ela mostra Vesta a uma distância aproximada de 16 mil quilômetros com uma superfície complexa que preservam alguns dos eventos que ocorreram no início do Sistema Solar. Vamos esperar pelas próximas!
Por Cássio Barbosa, do G1.

Fonte: Blog Observatório, do G1

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