segunda-feira, 18 de julho de 2011

Presidente da AEB defende fusão com o INPE

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) defendeu, nesta quinta-feira (14), uma fusão entre o órgão e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que também é subordinado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Marco Antonio Raupp disse também que o orçamento anual da AEB, hoje na casa de R$ 300 milhões, precisa chegar agora a R$ 1 bilhão e se manter até 2020. As afirmações foram feitas durante a 63ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Goiânia.
(Luna D'Alama/G1)


Para Raupp, o futuro da agência está "indefinido". No momento, o país não tem nenhum lançador de satélites (o último explodiu em 2003, matando 21 pessoas) e apenas um veículo suborbital usado para experimentos científicos e tecnológicos. Os satélites nacionais são lançados por estrangeiros.
Segundo o presidente da AEB, os ministros de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e da Defesa, Nelson Jobim, são favoráveis à proposta de união com o Inpe. "Falta agora articulação com o ministério das Comunicações e a Secretaria de Assuntos Estratégicos. A primeira medida deve ser contratar mil pessoas e incorporar o corpo técnico do Inpe, porque a AEB não tem pessoal”, afirmou Raupp, que é formado em física e ex-presidente da SBPC.
Essa articulação seria para resolver "detalhes", como as estruturas totalmente separadas dos dois órgãos – tão separadas que estão em regiões diferentes: a AEB em Brasília, e o Inpe na cidade de São José dos Campos, em São Paulo.
Corrida
Raupp também reclamou da falta de verbas para o setor. Segundo ele, a Nasa emprega 70 mil funcionários com alto nível de qualificação. A agência espacial europeia tem em seu quadro 28 mil técnicos; a Rússia concentra mais de 20 mil só na área governamental; e o programa espacial indiano reúne 16 mil pessoas. No Brasil, esse número não chega a 3 mil.
Para o primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, o país está perdendo a “corrida espacial” com os demais em desenvolvimento. “Se a gente não tiver um programa espacial forte, que atenda às necessidades do Brasil sem precisar da ajuda de fora o tempo todo, vamos ficar para trás no trem da história e perder uma capacidade essencial para o Brasil”, afirmou.
“Perder o programa espacial é perder a capacidade de monitoramento de recursos naturais, de fronteiras, de organização da agricultura”, disse.
Metas nacionais
As funções citadas por Pontes foram confirmadas por Raupp, quando ele enumerou as principais metas do país nessa área para os próximos anos. De acordo com o presidente da AEB, o Brasil precisa fazer um monitoramento melhor de seu território, por meio de satélites.
O principal objetivo é colaborar com a Defesa Civil, usando tecnologia para prever desastres naturais. Os satélites do tipo GPM (Global Precipitation Measurement, na sigla em inglês), que passam perto das nuvens e podem medir com muito mais precisão a intensidade da chuva, são objeto de desejo do programa espacial brasileiro.
“Temos capacidade hoje para fazer previsão do tempo, mas dizer qual é a intensidade da chuva em um ponto específico não é feito”, disse Raupp.
Segundo ele, a vigilância que os satélites nacionais fazem sobre a Amazônia é de grande valor e a mais bem atendida pelo projeto, mas os esforços ainda não são suficientes. O monitoramento das fronteiras para combater o tráfico de armas e drogas também está entre os objetivos do governo, destacou o presidente da AEB.
Apesar de haver satélites de coletas de dados totalmente produzidos no Brasil em funcionamento, o país ainda precisa de mais. “Não estamos gerando imagens de nós mesmos. Compramos de fora imagens do nosso território”, lamentou.
2013
O Brasil está desenvolvendo um projeto de foguetes em parceria com a Ucrânia. Com a troca de tecnologias, a AEB pretende lançar plataformas na base de Alcântara, no Maranhão, a partir de 2013. Segundo Raupp, o projeto depende mais dos ucranianos que de nós.
Para que o projeto espacial como um todo evolua, o presidente da AEB quer investir em qualidade de pessoal. “A participação universitária, dos centros e institutos de tecnologia, é fundamental para esse programa. Mas muito pouco se tem repassado às universidades”, afirmou.
Segundo Raupp, o objetivo é discutir o projeto com o maior número de setores da sociedade e aumentar a participação da universidade e, principalmente, da indústria, que deveria encabeçar a produção de equipamentos e satélites. “O Inpe e o CTA [Centro Técnico Aeroespacial] se dispersam entre produzir ciência e produtos. Esses institutos não sabem fabricar equipamentos, quem tem conhecimento são as empresas. Elas só precisam se sofisticar e interagir com os centros tecnológicos”, apontou.

Fonte: G1

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