domingo, 4 de dezembro de 2011

Russia fracassa em mais uma missão a Marte: Fobos-Grunt

Atualização: o Diário da Rússia acaba de informar que a sonda cairá na Terrá dia 12 de dezembro, com material tóxico!
A Rússia lançou ao espaço a sonda Fobos-Grunt no começo de novembro e, a poucos dias atrás, foi dada como perdida. Com isso, a Rússia encerra com fracasso mais uma missão a Marte. A sonda iria pousar em uma das luas de Marte, coletar amostras e traze-las para a Terra; a um custo total de 170 milhões de dólares. Segundo especialistas a sonda pode ter sofrido interferência de radares americanos e vai cair na Terra, por causa do arrasto da atmosfera. Essa queda vai ser perigosa, pois os tanques da nave estão cheios de um material altamente tóxico.
Veja o site oficial da Phobos-Grunt, leia o artigo na Wikipédia, e a cobertura completa pela rádio Voz da Rússia e pelo jornal Diário da Rússia.
Vamos rever essa história, no artigo de Cássio Barbosa, do Blog Observatório do G1:


" (...) Mas eu queria falar sobre outra sonda espacial que tinha como destino Marte, a sonda russa Fobos-Grunt que foi lançada no dia 8 de novembro. Essa missão conjunta da agência espacial europeia (ESA) e da Rússia marcava um retorno à exploração de Marte pelos russos após um intervalo de 20 anos. E o projeto era bem ambicioso, com uma cápsula que pousaria em Fobus, uma das luas de Marte, e retornaria à Terra com uma amostra do seu solo. Além disso, a Fobos-Grunt carrega de carona uma pequena sonda chinesa de 115 kg , a Yinghuo-1. Essa sonda iria orbitar Marte por 2 anos estudando sua atmosfera, campo magnético e suas tempestades de areia.



Iria.

Após ser lançada com sucesso e inserida em uma órbita baixa de transferência, a Fobos-Grunt não respondeu aos comandos de disparar seus foguetes para colocar as duas sondas na rota para Marte. Incapazes de entender o que estava acontecendo, os técnicos russos e da ESA imediatamente mandaram um sinal para que a sonda abrisse seus painéis solares, isso para evitar que as baterias se esgotassem em 2-3 dias. Com essa estratégia, os técnicos esperavam entender o que tinha se passado e tentariam disparar os foguetes para retomar a missão.

Para deixar as coisas mais dramáticas, os técnicos só podiam contar com 8-10 minutos diários de transmissão da sonda. Esse é o tempo em que ela sobrevoa a estação de rastreio em Perth, na Austrália. Nas outras estações, esse sobrevoo se dá durante a noite, o que enfraquece e muito o sinal. Além de tudo isso, havia a questão do tempo.

Lançamentos para Marte podem ocorrer a qualquer tempo, mas a cada 26 meses a Terra e Marte mantêm uma posição relativa privilegiada, de modo que o tempo de viagem é muito reduzido, reduzindo também a quantidade de combustível para manobrar as sondas. Por isso de dois em dois anos a gente vê sondas sendo lançadas em direção ao planeta vermelho. A atual “janela de lançamento”, como é conhecido esse período de tempo abriu-se no dia 8 de novembro e fechou-se dia 25, ou seja, se os foguetes da Fobos-Grunt não fossem disparados até essa data, as duas sondas estariam perdidas.

E os foguetes não foram disparados. As curtas transmissões da sonda não foram decifradas a tempo e os técnicos ainda não sabem o que ocasionou a falha que impediu o acionamento dos foguetes, e tampouco conseguiram acioná-los para posicionar a sonda em outra órbita. Desta maneira, a missão foi considerada oficialmente perdida no dia 26 de novembro. A luta agora é tentar descobrir o que saiu errado.

Mais do que mais uma perda lamentável (a Nasa afirma que a antiga União Soviética e a Rússia falharam em todas as suas 17 tentativas de mandar uma sonda à Marte, mas os russos, é claro, não admitem), a Fobos-Grunt agora representa um grave perigo ambiental. Sua órbita é baixa e está diminuindo rapidamente por causa do arrasto da atmosfera. Ninguém sabe quando, mas é certo que ela vai reentrar na atmosfera, como fez recentemente o satélite alemão Rosat. Mas o problema é que, neste caso, os tanques da Phobos-Grunt estão cheios de hidrazina, um combustível altamente tóxico que é usado em manobras orbitais.

A menos que os técnicos consigam disparar os foguetes da sonda para afastá-la da Terra, não há muito a fazer, a não ser monitorá-la continuamente. Com isso, espera-se que o local da queda possa ser previsto. Com sorte ela cairá no mar, diminuindo o estrago ambiental provocado pela hidrazina."



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