quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O polemico orçamento da NASA para 2013.

Proposta para 2013 foi anunciada nesta segunda-feira. Apesar de estagnado, orçamento prevê reorganização do dinheiro da agência. Exploração humana será beneficiada e missões não tripuladas a outros planetas sofrerão cortes

A Casa Branca anunciou nesta segunda-feira a proposta de orçamento para a Nasa, maior agência espacial do mundo. Durante o ano de 2013 a agência deve receber 17,7 bilhões de dólares, menos de 0,5% do orçamento total dos Estados Unidos, cerca de 3,8 trilhões. Em relação ao valor previsto para 2012, o governo americano propõe um corte de 58,6 milhões de dólares. Apesar de o valor ser praticamente o mesmo — apenas 0,3% de diferença em relação a 2012 — a administração da Nasa fez mudanças na distribuição dos recursos e priorização dos programas.

Veja o orçamento completo:

- 28.6% (Ciência);
- 23.6% (Operação Espacial); 
- 20.9% (Exploração);
- 16.8% (Apoio a Outras Agências);
- 3.2% (Aeronáutica);
- 3.2 % (Tecnologia Espacial);
- 2.7% (Infraestrutura);
- 0.8% (Educação);
- 0.2% (Auditoria interna).

O primeiro golpe foi dado na parceria que os americanos tinham com os europeus em uma missão rumo a Marte. Os crescentes gastos com missões acima do orçamento previsto — como o James Webb Telescope, sucessor do Hubble, que na proposta original deveria custar 1 bilhão de dólares e hoje tem custo previsto de 8,8 bilhões — obrigaram a Nasa a abandonar a parceria que havia firmado com a ESA (agência espacial europeia). As duas agências trabalhavam juntas na missão ExoMars, que pretende lançar um orbitador e um veículo a Marte, um em 2016 e outro em 2018.

Os americanos entrariam com o sistema de lançamento e vários instrumentos científicos e os europeus com o obritador e o jipe e a coordenação da missão. A Nasa gastaria 1,4 bilhão de dóalres, 200 milhões a mais que a ESA. Agora, os europeus se veem obrigados a procurar um novo parceiro, a atrapalhada Rússia, para continuar com a missão que é vista como etapa essencial para trazer amostras de Marte. "Já temos duas missões principais: Mars Science Laboratory e o James Webb Telescope", justificou Charles Bolden, administrador da Nasa. "Não podemos arcar com mais uma."

Homens em Marte - De acordo com Bolden a agência quer se concentrar no objetivo traçado pelo presidente Barack Obama em 2010, de enviar uma missão tripulada a um asteroide em 2020 e iniciar a exploração do sistema marciano em 2030. Por causa disso e apesar dos cortes, duas áreas vão receber mais dinheiro em 2013.

A primeira delas é a de exploração humana, que vai receber 3,93 bilhões de dólares — 6% a mais do que o orçamento anterior. Ou seja, estão garantidas as verbas para o desenvolvimento da cápsula Orion — projetada para levar até quatro astronautas além da órbita da Terra — e de um foguete, chamado Space Launch System, potente o suficiente para lançar a Orion ao espaço.

A agência também pretende investir mais no desenvolvimento de tecnologias espaciais, como novos sistemas de comunicação a laser, de navegação por meio de energia nuclear e de sistemas de locomoção no espaço — como as velas solares. Essa área verá um crescimento de 22% no orçamento.

As empresas americanas que estão investindo no desenvolvimento de foguetes comerciais para abastecer a estação espacial internacional ou levar tripulantes ao espaço também ganharam um voto de confiança. Ao todo, o governo americano separou 830 milhões de dólares para encorajar essas empresas a continuar desenvolvendo foguetes e sistemas de transporte. De acordo com o planejamento da Nasa, o primeiro voo comercial até a estação espacial internacional ocorrerá ainda em 2012, com a empresa do empresário sul-africano Elon Musk. Em 2013, serão quatro voos.

Apertar os cintos - Enquanto algumas áreas receberão mais recursos, outras vão se encolher. De acordo com Bolen, a Nasa tem se esforçado em cortar os gastos administrativos, incluindo as viagens de seus executivos. A medida tem o objetivo de reduzir 100 milhões de dólares em 2012 e o dobro no ano seguinte.

Outra área que verá grande redução de gastos é a ciência planetária, braço da agência que abriga missões de sucesso, como as Voyagers (sondas que estão no limite do Sistema Solar), Cassini (satélite que estuda Saturno) e as missões a Marte. De acordo com o orçamento proposto, as missões não tripuladas a outros planetas receberão apenas 1,2 bilhões de dólares em 2013, 20% a menos do que vinham recebendo.

As atuais missões a Marte, como o Mars Science Laboratory, continuarão recebendo dinheiro. Contudo, "a agência ainda vai estudar a formulação de missões de médio porte compatíveis com a nossa realidade financeira", disse Bolden.


Fonte: Veja

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