quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Estrela e planeta natal do Super-Homem é encontrado

Planeta de origem do herói integrava a Constelação de Corvo


Mesmo se você não for fã de histórias em quadrinhos, provavelmente sabe que o Super-Homem foi mandado para a Terra ainda bebê, quando seu planeta natal, Krypton, explodiu. Apesar de muito citado, ninguém sabia que lugar da galáxia era esse mundo, relegado ao limbo da incerteza que permite diferentes autores escreverem sobre a mesma coisa sem se contradizerem.

Tudo isso mudou no último dia 7 de novembro, quando a DC Comics, editora que detém os direitos do Super-Homem, publicou a edição número 14 da revista Action Comics. Uma história de oito páginas no final da publicação revela onde fica (ou ficava) Krypton: na constelação de Corvo, mais especificamente, orbitando a estrela de nome pouco dramático LHS 2520, a 27,1 anos-luz de distância da Terra.

Em novembro foi publicado uma história em que revela onde fica (ou ficava) Krypton: na constelação de Corvo. (ilustração: DC Comics)
A história conta com a participação especial do astrônomo pop norte-americano Neil deGrasse Tyson (que está regravando a famosa série Cosmos), diretor do Planetário Hayden, do Museu Norte-americano de História Natural. Tyson é conhecido por usar entretenimento para divulgar a astronomia e foi o pesquisador que, com base nas informações dos quadrinhos, encontrou a candidata mais plausível para ser o sol vermelho de Krypton, conhecido como Rao.


Trilha para uma estrela

Mas como Tyson ‘achou’ Krypton? Ele usou as informações das histórias do Super-Homem. A primeira é a distância entre o sistema e a Terra: 27 anos-luz. Para entender o porquê desse número, você precisa saber que no ano passado a DC Comics ‘rebootou’ seu universo, reiniciando a história dos super-heróis do zero.

Nessa reviravolta, o Super-Homem passou a ter 27 anos, em vez dos seus eternos trinta e poucos. Como na história da Action Comics ele vê a explosão de Krypton do Observatório Hayden, isso significa que a luz da destruição do planeta levou 27 anos para chegar à Terra. Logo, Krypton está a 27 anos-luz de distância (o Super-Homem chegou bem mais rápido graças à nave inventada pelo seu pai).


A história tem participação especial do astrônomo pop norte-americano Neil deGrasse Tyson, responsável pela localização de Krypton. (ilustração: DC Comics)
A segunda informação é a cor de Rao, o que faz dela uma supergigante, gigante ou anã vermelha. Supergigantes explodem em supernovas relativamente cedo no seu ciclo de vida e não permitiriam o desenvolvimento de uma civilização avançada como a kryptoniana. Já gigantes vermelhas não existem no raio de 27 anos-luz.

Restaram as anãs vermelhas e, na constelação do Corvo, havia uma que atendia aos requisitos: justamente a LHS 2520. Ela tem um quarto da massa do Sol, um terço do seu diâmetro, aproximadamente metade de sua temperatura e apenas 1% do seu brilho.


Perdido na tradução

Como costuma acontecer nessas transposições da ficção para a realidade, algumas coisas se perdem na adaptação, como a viabilidade de um mundo que orbite essa estrela. O astrônomo Phil Plait, autor do blogue Bad astronomy (astronomia ruim, em português), fez alguns cálculos e descobriu que Krypton seria um planeta bastante frio – na melhor das hipóteses, sua temperatura seria de -170 graus Celsius!

Para chegar a essa conclusão, ele usou a duração do ano do mundo do Super-Homem – 382 dias, dado na história – e a massa da estrela, descobrindo que Krypton está a 100 milhões de km de seu sol. Em comparação, a Terra está a 150 milhões de km do Sol. O problema é que Rao é muito mais frio que o nosso astro-rei.

Plait oferece algumas soluções para a questão, como gases-estufa que aumentem a temperatura. Contudo, considerando que o Super-Homem é um alienígena que ganha superpoderes simplesmente por causa da cor amarela do nosso Sol, acho que podemos fazer vista grossa para o clima invernal de Krypton.

Se você é um astrônomo amador ou simplesmente um aficionado de quadrinhos, aponte seu telescópio para as seguintes coordenadas e observe LHS 2520 (ela não é visível a olho nu):

Ascensão reta: 12 horas; 10 minutos; 5,77 segundos
Declinação: -15 graus; 4 minutos; 17,9 segundos


Fred Furtado

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