quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014 (Parte 1): O que marcou o ano na astronomia e na exploração espacial

Ronaldo Mourão, ondas gravitacionais, Cubesat brasileiro, exoplanetas, Órion e explosões solares

 O ano que acabou nos reservou muitas notícias boas e algumas surpresas ruins. Perdemos o maior astrônomo que Brasil já teve, mas nunca estivemos tão perto de achar um planeta que seja parecido com o nosso. Veja abaixou a nossa 1ª parte da retrospectiva que fizemos:
 - A morte do maior astrônomo brasileiro: Ronaldo Mourão
 - Cápsula Orion
 - O 1º nanosatélite brasileiro
 - O primeiro exoplaneta potencialmente habitável do tamanho da Terra foi confirmado
 - Cientistas descobriram evidencias de ondas gravitacionais
 - A maior explosão solar dos ultimos 25 anos


      A morte do maior astrônomo brasileiro: Ronaldo Mourão
A astronomia brasileira tinha cabelos brancos longos e as famosas "suiças" (barbas na lateral do rosto).
Em julho, a astronomia brasileira perdeu o seu principal nome: Ronaldo Mourão. O maior astrônomo que o Brasil já teve faleceu aos 79 anos no Rio de Janeiro. Numa época em que ter pós-graduação era raro, ele e mais 3 amigos (chamados de Os Quatro Cavaleiros) revolucionaram o Observatório Nacional e trouxeram para o grande público a ciência e a astronomia . Autor de quase 100 livros, fundador do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MASP), ganhador do Prêmio Jabuti (a maior premiação da literatura), membro da Academia Luso-Brasileira de Letras, da Academia Brasileira de Filosofia e da Academia Brasileira de Literatura, escreveu para vários jornais, revistas e até para o Dicionário Buarque de Holanda; o que Mourão tocava, virava ouro. Suas principais contribuições na pesquisa científica foi na área de estrelas duplas e no estudo de asteroides (tendo descoberto 72, um desses hoje leva o seu nome).

Os seus livros são de leitura obrigatória para entusiastas na área. Eu tive o prazer de participar de vários encontros e eventos com o Dr. Mourão; e 2 semanas antes da sua morte, fui vê-lo em sua casa (e sua rica biblioteca), dentro do Observatório Nacional.

    Cápsula Orion
A Órion foi projetada para levar humanos para além da órbita terrestre, feito que não acontece desde a década de 1970, com as missões Apollo. Ela foi lançada no seu primeiro teste não-tripulado e pousou suavemente na costa da Flórida em 5 de dezembro, para o entusiasmo do locutor da NASA, que disse: "Lá está sua espaçonave, América". Inicialmente, ela foi concebida dentro do projeto Constellation, um projeto de exploração tripulado criado nos idos de 2004 pelo presidente George Bush, que pretendia levar humanos à Lua até 2020 e nos anos seguintes, à Marte. Porém, depois de duas guerras acabarem com o orçamento americano, o projeto foi cancelado pelo presidente Obama em 2009, e a Órion acabou sendo o "Caminho Flexível" até Marte e a única sobrevivente do falecido sonho americano.
O projeto agora é laçar um pequeno asteroide e colocá-lo na órbita da Lua, para então enviar astronautas até lá com a Órion (e o superfoguete SLS, ainda em desenvolvimento). Então, com os conhecimentos adquiridos nessa missão, a NASA posteriormente enviaria astronautas para Marte.
O problema é que o avanço alcançado pela Órion em dezembro pode ser frustante e não levar a lugar nenhum: há um desanimo na NASA com missão ao asteroide. Alguns acreditam que os benefícios que a missão traria podem ser obtidos por meios mais baratos, além de que a NASA ainda tem que identificar um asteroide, e ele não pode ser muito grande (quase do tamanho da Órion) e necessariamente ser sólido (e não de detritos aglutinados).
De qualquer forma, é o inicio de uma nova jornada humana no espaço, seja ela qual for.

       O 1º nanosatélite brasileiro
Em julho, o Programa Espacial Brasileiro teve um importante avanço ao lançar o 1º cubesat brasileiro, chamado de NanosatC-BR1. Os cubesats são um nova tendência do mercado de satélites. São pequenos (um cubo de 10 cm de aresta), baratos e rápidos de serem produzidos. Para ilustrar a importância desse feito, esse foi o primeiro satélite brasileiro lançado ao espaço e que funciona, desde 2007. O custo total do projeto (incluindo fabricação e lançamento) foi de apenas 800 mil reais! Ele foi lançado ao espaço para estudar os distúrbios magnéticos na atmosfera brasileira e testar alguns circuitos integrados produzidos aqui no Brasil. Para comparar como os cubesats são um revolução, existem colégios e faculdades que estão começando a fazer, e até mesmo alguns sites vendem kits para fabricação.
O Brasil, segundo o INPE, pode se tornar líder mundial nesse segmento, que atualmente não é tão ocupado pelas potências quanto o dos grandes satélites. Embora seja, uma expectativa bem otimista, esperaremos. A reportagem completa, contando o lançamento e o desenvolvimento do projeto pode ser lida AQUI.

      O primeiro exoplaneta potencialmente habitável do tamanho da Terra foi confirmado
A vida, como a conhecemos, pode estar a 500 anos-luz de distância. Em termos astronômicos, no nosso bairro. E isso foi confirmado em abril. Hoje é sim um momento histórico, em menos de 1 década descobrimos que existem planetas em outras estrelas e que eles tem as condições para o surgimento de vida!
Usando o telescópio Kepler, que está na órbita terrestre, astrônomos descobriram e confirmaram o primeiro planeta do tamanho da Terra orbitando uma estrela na chamada "zona habitável": região de um sistema estelar onde existe as condições para a existência de água em estado líquido, fundamental para a vida. O nosso planeta "primo" chama-se Kepler- 186F.

Kepler-186F tem um período de translação, ou seja, orbita sua estrela uma vez a cada 130 dias (o nosso ano tem 365 dias, o deles tem 130 dias) e recebe da sua estrela um terço da energia que a Terra recebe do Sol. Comparativamente, na superfície do Kepler-186F o brilho da sua estrela ao meio-dia é tão brilhante como o nosso Sol aparece-nos às 17h. Kepler-186F pode ser imaginado como um primo da Terra, em vez de um planeta gêmeo. Ele tem muitas propriedades que se assemelham a Terra. Leia a reportagem completa AQUI.

      Cientistas descobriram evidencias de ondas gravitacionais
A descoberta que possivelmente seria a mais importante para a física e cosmologia em décadas foi anunciada em março. Nela, pesquisadores do BICEP2 disseram terem descoberto as primeiras evidências concretas de que o universo se expandiu numa rápida velocidade (mais rápido do que a luz) no período de menos de um trilionésimo de segundo após o Big Bang — um processo conhecido como “inflação cósmica”, teorizado pelo astrofísico Alan Guth na década de 1980 e absolutamente essencial a todos os modelos teóricos que a física emprega para explicar a evolução do universo desde então, porém nunca comprovado na prática até agora, por meio de observações físicas. A prova, neste caso, seria a detecção das chamadas “ondas gravitacionais”, distorções no padrão de temperatura da radiação cósmica que seriam como ondulações no pano de fundo luminoso do universo, criadas por esse processo inflacionário logo após o Big Bang.

Porém, o anuncio feito aos jornalistas foi antes de publicarem os resultados num periódico científico (ou seja, revisado e validado por outros cientistas). Assim, quando foi publicado, o grau de certeza era baixo e o estudo sofreu muitas críticas. Os autores ainda mantém a conclusão de que os sinais detectados por eles representam a evidência das ondas gravitacionais, porém reconhecem que não é a única explicação. Os mesmos sinais poderiam ser explicados pela interferência de poeira espacial nas observações da radiação cósmica de fundo.
Assim, a descoberta que antes era de "provas concretas", agora é de "possíveis evidências". Para ler o trabalho deles completo, em inglês, clique aqui.

    A maior explosão solar dos ultimos 25 anos 
Em meados de outubro, foi observada a maior mancha solar desde 1990. Denominada AR12192 (Região Ativa 12192), ela tem algo em torno de 125 mil km de diâmetro, sendo maior que o planeta Júpiter. A tal mancha é tão grande que pode ser vista até sem telescópio! Convém dizer que não se pode observar o Sol nem o filtro adequado, nem a olho nu (como no caso dessa manha), nem no telescópio.

Uma mancha solar é uma região da superfície do Sol que emite menos luz que a média. Enquanto a temperatura da superfície solar atinge algo em torno de 6000 ºC, na mancha isso não passa dos 4000 ºC. Por outro lado, os campos magnéticos sobre uma mancha atingem valores altíssimos e são responsáveis por poderosas emissões de radiação nas camadas superiores da atmosfera solar. Estas emissões podem conter raios ultravioletas, raios X e partículas atômicas carregadas. Essas partículas, quando se aproximam da Terra, são desviadas pelo campo magnético para os polos, onde podem provocar auroras. As radiações não chegam a atravessar a atmosfera terrestre que nos protege, mas estas emissões de radiação podem provocar as chamadas tempestades solares, que causam problemas em satélites, redes elétricas e sinais de rádio. Este tipo de atividade solar é periódico: a cada 11 anos atingimos um máximo.


Fonte: 
Astronomia On-line (30 de dezembro)
Superinteressante
Wikipédia
Folha de S.Paulo (26 de julho)
G1 (5 de dezembro)
Wikipédia
Gizmodo Brasil (8 de dezembro)
Planetário do Rio (3 de novembro)
Portal Terra (1 de dezembro)
Blog Herton Escobar (O Estado de S.Paulo) (19 de junho)

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