quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Perspectivas para a ciência em 2016

De acordo com um artigo publicado recentemente na Revista Nature, por Elizabeth Gibney, o ano de 2016 promete eventos científicos significativos em todo mundo, desde explorações excepcionais de Marte e Júpiter até análises microbianas da Terra, desde rara colaboração entre governos do Oriente Médio para instalação do primeiro Centro Internacional de Pesquisa na região até as expectativas políticas dos eleitores dos EUA e Canadá referente ao meio científico de seus países, e desde a possibilidade de reabertura de financiamento para investigação sobre os vírus mais perigosos até a polêmica discussão sobre Edição de Gene, entre outros grandes acontecimentos.



- Capturando o CO2 em excesso

A empresa suíça Climeworks foi designada para se tornar a primeira empresa a capturar dióxido de carbono (CO2) do ar e vendê-lo em escala comercial, o que é um grande incentivo para instalações maiores que poderiam auxiliar no combater do aquecimento global em um futuro próximo. Em julho deste ano, a empresa pretende começar a capturar cerca de 75 toneladas de CO2 por mês em sua fábrica localizada perto de Zurique, na Alemanhã, e em seguida vender o gás para estufas nas proximidades para estimular o crescimento das culturas. Outra empresa — de engenharia em Calgary, no Canadá, que está capturando CO2 desde outubro de 2015, no entanto ainda está por trazê-lo ao comércio — pretende mostrar que pode converter o gás em combustível líquido. Instalações em todo o mundo já capturam o gás de usinas, mas apenas uma pequena parte demonstra resultados.

- Recortar e colar genes

Testes em humanos receberá recurso para tratamentos que usam tecnologias de edição de DNA. Sangamo Biosciences em Richmond, Califórnia, irá testar o uso de enzimas chamadas “zinc-finger nucleases” para corrigir um defeito de gene que causa a hemofilia. Trabalhando com a biogênese de Cambridge, Massachusetts, será iniciado um julgamento para verificar se a técnica pode impulsionar uma forma funcional de hemoglobina em pessoas com a desordem de sangue β-Talassemia. Os cientistas e eticistas esperam chegar a um acordo, sobre segurança geral e diretriz ética para edição de gene em humanos, até o final de 2016.

- Expectativas cósmicas

Josh Spradling/The Planetary Society
A espaçonave LightSail passará por uma missão de teste em abril deste ano (2016)

Físicos consideram que, neste ano, há grande chance de acompanharmos a primeira evidência de ondas gravitacionais — ondulações no espaço-tempo causadas por objetos densos em movimento, como estrelas de nêutrons em espiral — graças ao avançado detector LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory). E o Japão lançará Astro-H, um satélite observatório de raio-x de nova geração que, entre outras coisas, poderá confirmar ou refutar a alegação de que os neutrinos pesados emitem sinais de matéria escura, conhecidos como “bulbulons”. Sugestões de nova partícula no grande colisor LHC (Large Hadron Collider), descritas em registros desde junho de 2015, poderiam tornar-se mais claras, pois a máquina pode acumular rapidamente seus dados. Mesmo que a partícula não seja confirmada, o LHC ainda poderá ressaltar novamente outros fenômenos exóticos, tais como “glueballs” (partículas constituidas inteiramente de portadores de força nuclear forte).



- Investigação arriscada

Os cientistas vão saber em breve se o financiamento da investigação sobre os vírus mais perigosos pode retomar. Em outubro de 2014, o governo dos EUA suspendeu abruptamente apoio financeiro para estudos de 'ganho-de-função'. Estas experiências poderiam aumentar a compreensão de como certos patógenos evoluem e como eles podem ser destruídos, mas os críticos dizem que o trabalho também aumenta o risco de, por exemplo, uma liberação acidental de um vírus mortal. Uma análise de risco/benefício foi concluída em dezembro de 2015, e National Science Advisory Board for Biosecurity dos EUA vai emitir recomendações nos próximos meses sobre a possibilidade de retomar o financiamento — potencialmente com mais restrições na pesquisa.

- Conquistas comerciais

Um grupo de pesquisa sortudo vai ganhar um subsídio de US $ 50 milhões para pesquisa de doenças cardíacas no Google e na American Heart Association. A base de pesquisa do Google sobre doença está crescendo, e os neurocientistas estão ansiosos para ver o que Thomas Insel, ex-diretor do National Institute of Mental Health dos EUA, fará na empresa. O financiamento privado também poderá deixar a sua marca neste ano, pois a sociedade planetária sem fins lucrativos de Pasadena, Califórnia, planeja lançar uma missão de US$ 4,5 milhões em abril para testar sua espaçonave LightSail.

- Para Marte e além

As órbitas da Terra e de Marte aproximarão os planetas uns dos outros este ano, criando a oportunidade perfeita para uma viajem ao planeta vermelho. O lançamento da ExoMars 2016 será em março, com o objetivo de analisar gases na atmosfera de Marte e desembarcar tecnologias de teste no planeta. Em julho, a missão de Juno da NASA vai chegar em Júpiter, e em setembro, o ofício da ESA que Rosetta poderá se acidentar no cometa em órbita; o consolo desse fato vai acontecer com o lançamento da OSIRIS-REx da NASA, uma missão para trazer de volta as amostras do asteroide Bennu.

- Condução espacial

Em dezembro de 2015 houve o lançamento da potente sonda espacial DAMPE (Dark Matter Particle Explorer) que custou cerca de US $ 100,000,000, agora neste ano (2016), o Centro Nacional de Ciência Espacial da China pretende lançar as segunda e terceira sondas de observação espaço-ciência em sua série total de cinco. Em junho será realizado o teste do primeiro satélite quântico de comunicação do mundo, e o telescópio de modulação Hard X-ray - que irá explorar o cosmos em busca de fontes energéticas de radiação, como buracos negros e estrelas de nêutrons - vai voar até o final deste ano (2016). Em setembro veremos a China completar a construção de 500m do FAST (Aperture Spherical Radio Telescope), que substituirá o observatório Arecibo de Porto Rico sendo o maior radiotelescópio do mundo. No Havaí, a equipe responsável pelo controverso Telescópio de Trinta Metros, que teve sua licença de construção revogada em dezembro, vai tentar descobrir “se” e “como” será possível levar o projeto adiante.

- Micro vida revelada


Stephen Belcher/Minden Pictures/Corbis
Saliva do dragão komodo foi submetida à amostragem para o Projeto Microbioma da Terra
Os primeiros resultados de um projeto ambicioso para analisar as comunidades no mundo microbiano são esperados para este ano. O Projeto Microbioma da Terra, que foi lançado em 2010, visa sequenciar e caracterizar pelo menos 200.000 amostras de DNA microbiano retiradas de todo solo da tundra siberiana. O projeto garante descobrir níveis sem precedentes de diversidade biológica.

- Agitação política

Em novembro, os EUA elegerá um novo Presidente. Se um republicano assumir a Casa Branca podem ressurgir os planos de enterrar o lixo nuclear em Yucca Mountain, em Nevada, e do financiamento federal para o clima e ciências sociais que poderiam enfrentar cortes, o que pode gerar debates exaustivos. E se o governo liberal do Canadá fizer jus às suas promessas pré-eleitorais, o país terá um ofício de ciências, o qual pesquisadores confiam que vai chegará com uma unidade para reconstruir as categorias precárias de cientistas do governo.

- Genes dos sonhos

Os neurocientistas esperam finalmente identificar genes que são cruciais para a regulação o momento e duração do sono, mas tem sido um desenvolvimento árduo, possivelmente porque há questões pertinentes de outras funções do cérebro. Identificar estes genes poderá abrir novos conhecimentos sobre distúrbios do sono e sobre algumas doenças psiquiátricas, que os cientistas evidenciam estar diretamente ligados aos padrões do sono.

- Que haja luz

O SESAME (Synchrotron-light for Experimental Science and Applications in the Middle East) será instalado na Jordânia no final deste ano (2016). O acelerador de partículas em forma de anel vai gerar luz intensa para observar materiais e estruturas biológicas até o nível atômico. É o primeiro grande centro internacional de pesquisa da região, e uma rara colaboração entre os governos, incluindo o Irã, Israel e a Autoridade Palestina. O suporte para construir uma instalação semelhante na África é provável que também ganhe apoio. E em junho, os cientistas pretendem começar a usar brilhantes feixes de raios-X no primeiro síncrotron de última geração do mundo, MAX IV, em Lund, na Suécia.



Fonte: Revista Nature 529, 14–15 (07 January 2016), artigo (doi:10.1038/529014a) escrito por Elizabeth Gibney. Traduzido por Heloisa C. Zanlorensi - Blog Da Terra Para As Estrelas.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo trabalho, é sempre bom ver que existem pessoas preocupadas com a divulgação científica. Estou finalizando minha graduação em Química (UEPG) e apesar do blog não ser voltado para essa área, é sempre bom poder conhecer um pouco mais sobre ciência e seus rumos.

    Desejo muito sucesso com o belo trabalho de vocês.

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  2. Muito obrigada pelo reconhecimento Rafael, nossa equipe fica muito contente pois é motivador ler suas considerações! Nós também te agradecemos por ler o blog e demonstrar um interessante admirável pelo conhecimento. Aliás também sou estudante da UEPG (Física), mas devido a demora em respondê-lo já verifiquei que atualmente você está cursando mestrado em Química na UFPR, portanto, parabéns por sua formação acadêmica e também lhe desejamos muito sucesso! Abraço.

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