quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Universo está parando de produzir estrelas e está apagando


Aparentemente o Universo já passou do auge em termos de produzir estrelas.


Aparentemente o Universo já passou do auge em termos de produzir estrelas, e as que estão sendo produzidas agora ao redor do Cosmo nunca serão mais que uma pequena porcentagem em relação aos números do passado.
Essa é a conclusão bastante inquietante de um novo e significativo estudo sobre a taxa a que estrelas são produzidas no correr do tempo cósmico.

ESO/P. Grosbøl
Sobral e seus colegas recentemente publicaram os resultados de uma série de ‘fotos instantâneas’ tiradas de galáxias ocupadas em produzir estrelas em épocas diferentes, de aproximadamente 4 bilhões de anos atrás (por volta da época da formação da Terra) a quase 11 bilhões de anos atrás. Essa não é uma tarefa simples: alguns dos maiores e mais sensíveis telescópios do mundo tiveram que ser usados.

Ao observar a luz em frequências muito específicas (correspondentes à emissão de átomos quentes de hidrogênio – veja a nota abaixo) eles são capazes de medir a verdadeira taxa a que novas estrelas estão se condensando a partir de espessos materiais nebulares em uns poucos sistemas galácticos. Isso produz algumas estatísticas bem robustas nas mudanças globais dos números de novas estrelas sendo produzidas conforme o Universo envelhece.

A principal conclusão vem em duas partes. Primeiro, 95% de todas as estrelas que vemos ao nosso redor atualmente foram formadas nos últimos 11 bilhões de anos, e cerca de metade delas foi formada entre 11 e 8 bilhões de anos atrás, em uma explosão de atividade. Mas o realmente impressionante é que a taxa a que novas estrelas estão atualmente sendo produzidas em galáxias mal chega a 3% daquela de 11 bilhões de anos atrás, e continua caindo. Isso indica que, a menos que nosso Universo encontre outro fôlego (o que é improvável), ele só conseguirá produzir mais 5% das estrelas que existem neste exato momento.

Esse é, bem literalmente, o início do fim.

No entanto, apesar do título provocativo deste post, você não deveria esperar ver as estrelas começando a sumir de vista tão cedo. A grande maioria das estrelas do Universo é menos massiva que o Sol e, na Via Láctea, cerca de 75% de todas as estrelas têm menos da metade dessa massa. Estrelas menores duram mais – a fusão nuclear do hidrogênio acontece mais devagar em seus núcleos, e elas também tendem a chacoalhar mais seus interiores que uma estrela como o Sol, o que resulta em uma eficiência extraordinária. De fato, as menores estrelas (chamadas de Anãs-M) devem ter tempos de vida contados em trilhões de anos.

Então nós vivemos em um momento interessante, no limite entre um excesso exuberante e um declínio longo e gentil. Nós também vivemos em uma galáxia que ainda produz umas poucas estrelas por ano – a Via Láctea vai acabar contribuindo bastante para aqueles últimos 5%. E quando a galáxia de Andrômeda vier se chocar conosco, em 4 ou 5 bilhões de anos, pode haver uma nova explosão de formação estelar enquanto essas duas bestas se fundem, e uma última fonte de novos faróis estelares iluminará o Cosmo mais um pouco.

[Uma pequena observação: várias fontes de notícias normalmente respeitáveis – como esta - relataram erroneamente que os astrônomos envolvidos no estudo estavam detectando ‘partículas alfa emitidas por átomos de hidrogênio’. Esse é um erro tão grave que me sinto compelido a mencioná-lo.

Em primeiro lugar, nenhum hidrogênio em toda a história do Universo já emitiu uma partícula alfa, já que uma partícula alfa consiste de dois prótons e dois nêutrons – em outras palavras, um núcleo de hélio].



Fonte: Scientific American Brasil

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