sábado, 17 de novembro de 2012

A 1ª missão brasileira de exploração espacial.

Pesquisadores brasileiros preparam a primeira missão de exploração espacial do país, cujo plano ambicioso é lançar, em 2017, a sonda Áster e fazê-la orbitar um asteroide triplo dois anos depois. A missão Áster é o tema de capa da Ciência Hoje de novembro.

(T. Pyle/ Nasa JPL-Caltech)

Áster deverá ser a primeira missão brasileira de exploração espacial. Sua meta é ambiciosa: orbitar um asteroide triplo e descer no maior deles. Batizado 2001-SN263, esse sistema é formado por um objeto central (2,8 km de diâmetro) e outros dois menores (1,1 km e 0,4 km de diâmetro) – os dois últimos descrevem órbitas em volta do corpo central.

O 2001-SN263 dá uma volta em torno do Sol a cada 2,8 anos, em trajetória que vai de uma região além da órbita de Marte (a meio caminho de Júpiter) até perto da Terra. O plano da missão Áster é lançar a sonda em 2017 e entrar em órbita do sistema de asteroides dois anos depois.

A missão se apoia nos valiosos desenvolvimentos tecnológicos que, ao longo dos últimos 30 anos, o Brasil acumulou sobre satélites espaciais. O país tem agora a chance de testar em voo esse amplo conhecimento, produto do esforço e da dedicação de décadas de muitos especialistas.

A missão Áster visa não só fazer avançar a ciência, mas também incrementar, no país, tecnologias sensíveis capazes de permitir outras missões espaciais de igual complexidade e (principalmente) de gerar subprodutos que possam trazer riqueza e bem-estar para a sociedade.

Essa iniciativa arrojada deverá esquentar seguramente o debate sobre a questão espacial no Brasil, colocando o Programa Espacial Brasileiro na ordem do dia, como política de estado prioritária, compatível com a vocação espacial do país e com sua atual posição geopolítica e econômica no cenário global.


Fósseis e remanescentes

Entre os asteroides, há aqueles que se formaram a partir da nuvem primitiva que deu origem ao sistema solar e não mais sofreram processos radicais que os modificassem. Outros são os remanescentes do processo de colisão entre objetos maiores.

Os primeiros são verdadeiros ‘fósseis’, pois nos permitem conhecer a composição e a distribuição dos elementos que estavam presentes na nuvem primitiva. Os segundos revelam pistas preciosas sobre os mecanismos que levaram à formação dos objetos maiores de nosso sistema solar.

Centenas de milhares de asteroides já foram identificados, e os principais dados de suas órbitas catalogados. A grande maioria deles tem extensão na casa das centenas de metros. Estima-se que haja mais de 1 milhão deles maiores que 1 km – alguns com centenas de quilômetros.

Grande parte dos asteroides se distribui na região entre as órbitas de Marte e Júpiter. Mas vários têm trajetórias que se aproximam da órbita da Terra: são os objetos próximos da Terra ou OPTs.


Surpresas: duplos e triplos

Surpreendentemente, em 1994, descobriu-se que o asteroide Ida tinha um satélite, sendo, portanto, um sistema binário – até então, pensava-se nos asteroides como corpos solitários.

Nos anos seguintes, dezenas de outros binários foram descobertos. Em 2005, outra surpresa: Sylvia, um asteroide com dois satélites. Hoje, é conhecida cerca de uma dezena desses sistemas triplos.

Nosso interesse recai sobre o 2001-SN263, OPT descoberto em 2001 e que somente em 2008 foi identificado como sendo um sistema triplo. Em 2019, chegará a cerca de 150 milhões de km da Terra, a mesma distância que separa o Sol de nosso planeta.
Duas imagens do sistema triplo 2001-SN263, reproduzidas a partir de dados obtidos pelo radiotelescópio de Arecibo, Porto Rico, em fevereiro de 2008. (imagens: Radiotelescópio Arecibo)

O 2001-SN263 é o alvo da missão Áster, que pretende não só colher dados sobre a formação desse sistema triplo, mas também pousar na superfície de seu objeto principal.

É uma missão ousada. Poucas nações fizeram algo similar. Apenas três sondas espaciais foram enviadas para explorar asteroides: i) em 2000, a norte-americana Near-Shoemaker pousou no asteroide Eros; ii) três anos depois, a japonesa Hayabusa enviou imagens e coletou material do asteroide Itokawa; iii) lançada em 2007, a sonda Dawn, da Nasa (agência espacial norte-americana), visitou o asteroide Vesta em 2012.

No entanto, a Áster – igualmente uma missão de espaço profundo – será a primeira a ter como alvo um sistema triplo. E, diferentemente do Eros, Itokawa e Vesta, o 2001-SN263 tem características de um meteorito primitivo – portanto, pode conter material orgânico, tema sempre relevante para o estudo da vida.

Baixe o artigo completo, no formato da revista aqui.

Elbert Macau
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Othon Winter
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Haroldo de Campos Velho
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
Alexander Sukhanov
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
Instituto de Pesquisas Espaciais da Rússia



Fonte: Ciência Hoje

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