segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ciência e espiritualidade: é possível?

As relações entre dois pensamentos  

Neste século em que tudo acontece e se transmite tão rapidamente, a ânsia das pessoas por verdades duradouras vem se tornando cada vez maior. O intercâmbio de informações entre culturas diferentes é ao mesmo tempo estimulante, assustadora e pode ser entendida como um monstro de duas cabeças, capaz de propiciar conhecimento, cultura, tecnologia bem como disseminar todo tipo de ódio, violência e criminalidade. Para isso contribui os filmes e jogos eletrônicos com cenas de indescritível violência.

Com anuência dos pais, os brinquedos vão dando lugar a ‘chupeta’ eletrônica’. Adolescentes armados intimidam colegas, afrontam os professores e promovem chacinas. O resultado é uma sensação de pânico e fragilidade que ameaça polarizar a sociedade a níveis insuportáveis.

Neste clima surgem então os oportunistas que se apresentam como única alternativa para nosso “mundo louco”. Nada mais natural a proliferação de novas religiões, novas crenças, profetas e arautos da ‘nova era’ que, graças aos menos esclarecidos, realizam ‘milagres’, prometem maravilhas e naturalmente acumulam imensas fortunas.

Para eles, o inferno e o apocalipse é uma dádiva de Deus. A astronomia nos mostra que, embora remota, é real a possibilidade da colisão de um asteroide ou cometa com a Terra. Essas colisões fazem parte do processo cósmico de evolução com inúmeras criações e destruições.
Na Terra já experimentamos cinco extinções em massa. A última há 65 milhões de anos dizimou 75% da vida em nosso planeta e nesse ‘pacote’ lá se foram os dinossauros. A maior há 250 milhões de anos extinguiu praticamente a vida no planeta e foi necessário novo recomeço. A colisão do cometa Shoemaker-Levy com Júpiter em 1994, fosse na Terra, você não estaria lendo esse artigo.

Os vestígios de colisões nos planetas, satélites e nos próprios asteroides estão por toda parte. Nesse coquetel de catástrofes, soma-se as violentas transformações geológicas e geofísicas, capazes de provocar a extinção de grande parte da vida no planeta.

A ciência nos aproxima da natureza e nos transporta a uma percepção do mundo que pode ser também profundamente espiritual. Albert Einstein (1879-1955) justificava sua devoção à ciência como “sentimento religioso cósmico”, dizendo que a religião sem ciência é coxa e que sem ciência a religião é cega.

Nesse contexto e raciocínio, poderíamos concluir que fé verdadeira é aquela que justifica o comportamento humano e encara a razão frente a frente em todas as épocas da humanidade : das cavernas as conquistas espaciais. Com este pensamento, com esta filosofia, estaremos incólumes quando ainda nesse século as potentes antenas dos nossos radiotelescópios receberem aquela tão aguardada mensagem : também estamos aqui!

A partir desse momento, religiões e crenças terão que se adaptar a realidade da pluralidade dos mundos habitados defendida pelo astrônomo francês Camille Flammarion (1842-1925) em 1862. Como isto irá acontecer, sob que roupagem, só nos resta aguardar.

Por Nelson Travnik


4 comentários:

  1. Olá, Otávio!!!!

    Parabéns, pelo post que... apesar de ser focado em um assunto capaz de provocar grandes polêmicas, qual seja, Ciência e Religião (quem tem razão????), foi bem escrito e abordado com equilíbrio e competência!!!!

    Caso as ações violentas no passado do ser humano, tivessem sido voltadas apenas para as realizações grandiosas para o progresso e, não contra si próprios, estaríamos mais desenvolvidos hoje e... violência moderna???? Desde que ela seja "queimada" virtualmente nos vídeos games, mil vezes isso, que a falsa solidariedade, o falso caráter, falso pudor e verdadeiro sentimento humano para o bem da vida!!!!
    As aparências enganam tanto que, só quando percebermos de fato, a bondade real produzida por um diabo é aí, que devemos considerá-lo um... anjo bom!!!!

    O céu é para todos e na Terra sempre caberá mais um!!!!! Vivamos então, uma paz verdadeira!!!!!

    Um abraço!!!!!

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    1. É isso aí Valdir, acho que devemos procurar viver uma paz verdadeira.
      Acho que a religião trata de assuntos que a ciência não trata.
      Um exemplo disso é a teoria do Big Bang: essa teoria explica o surgimento do estágio atual do Universo, já a religião tenta explicar o que aconteceu "antes" do Big Bang (embora o termo "antes" não possa ser usado, porque o tempo surgiu no Big Bang, segundo a teoria).

      Fico feliz por saber que gostou da postagem.
      Grande abraço e até breve.

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  2. Olá Otávio, belo post.

    Sempre acreditei que ciência e 'religiosidade' devem andar de mãos dadas. O religioso sem ciência assemelha-se a um fanático. Ao cientista sem religiosidade costuma faltar uma certa chama interna cujo ápice está no amor ao próximo.

    A frase "Há muitas moradas na casa de meu pai." é evidência de que a religiosidade - ao menos o cristianismo - não exclui a pluralidade dos mundos habitados.

    O problema é que quando falamos em religião, nossos pensamentos tendem aos muitos exemplos exclusivistas das denominações religiosas que abominam evidências científicas e preferem se agarrar a interpretações equivocadas de textos religiosos.

    É preciso fazer e manter a ponte entre esses dois aspectos tão fundamentais da vida, ciência e religiosidade. Sem fanatismos, para lá, ou para cá.

    Vida longa e próspera. :)

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    1. Olá Monica,
      concordo totalmente com você quando diz que um cientista sem religiosidade, falta-lhe aquele "chama", aquele vigor de descobrir o mundo.

      Outra coisa curiosa é o texto bíblico citado por você. Eu recebi uma ligação de uma pessoa falando isso, que para alguns, a interpretação desse texto seria a pluralidade dos mundos. Confesso que fiquei surpreso, mesmo pesquisando depois e vendo que essa interpretação é feita, em grande maioria, por espíritas.

      Outra coisa que descobri foi que o Flammarion era amigo de Kardec (fundador do espiritismo kardecista), não sabia disso.

      Vida longa para você também! Esteja a vontade para comentar no blog!

      Até breve!

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