sexta-feira, 15 de março de 2013

Inauguração do ALMA anuncia nova era de descobertas na ciência

Maior projeto astronômico do mundo


Na quarta (dia 13) o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), o maior projeto astronômico da atualidade, foi inaugurado numa cerimônia com representantes de vários países. O ALMA é um conjunto de 66 antenas que funcionam como radiotelescópios, situado num planalto a 5 mil metros de altitude, no deserto do Atacama (Chile). O evento marcou o final da construção da maior parte dos principais sistemas do telescópio gigante e a transição formal de projeto em fase de construção a observatório completamente operacional. O ALMA é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com o Chile. Veja vídeo especial aqui.

Eu tive a oportunidade de conhecer esse sonho que se tornou realidade, participando da 1ª comitiva oficial do governo brasileiro a visitar as instalações do ESO (Observatório Europeu do Sul) no Chile. Foi em agosto de 2011 e, apesar dos mais de 5 mil metros de altitude, o ar rarefeito e o frio de -10 ºC, foi uma experiência que vai ser difícil de ser superada (leia mais sobre esse dia aqui). Num ambiente totalmente hostil estavam engenheiros e cientistas criando ciência no maior projeto astronômico da atualidade. Leia também: Revista internacional fala sobre visita de brasileiros ao ESO



Um radiotelescópio é um instrumento de pesquisa que, ao invés de estudar os astros na luz visível (como o telescópio), estuda os astros na faixa das ondas de rádio (geralmente com antenas). E o ALMA é um arranjo de 66 antenas: 54 delas de 12 metros de diâmetro e 12 menores de 7 metros. Elas podem ser dispostas em diferentes configurações, com a distância máxima entre antenas variando entre 150 metros e 16 quilômetros! Há dois modos principais de funcionamento desse conjunto: as antenas podem ficar espalhadas pelo terreno, com maior distância entre si, quando o objetivo é focar num ponto mais específico do espaço e analisá-lo de forma detalhada; ou também é possível agrupá-las todas numa área central, com o que se tornam uma poderosa ferramenta para produzir imagens amplas do céu.
Capaz de observar o Universo detectando luz que é invisível ao olho humano, o ALMA mostrará pormenores nunca antes observados sobre a formação de estrelas, galáxias bebês no Universo primordial e planetas em formação em torno de sóis distantes. Descobrirá e medirá também a distribuição de moléculas - muitas delas essenciais à vida - que se formam no espaço entre as estrelas.


O observatório ALMA foi concebido como três projetos separados na Europa, EUA e Japão nos anos 1980, tendo estes projetos sido transformados num só nos anos 1990. A construção começou em 2003. Os custos totais da construção do ALMA remontaram a aproximadamente 1,4 bilhões de dólares.

Ele pertence ao ESO (Observatório Europeu do Sul), um consórcio de 15 países no qual o Brasil é o 1º membro não-europeu a fazer parte (leia mais sobre a adesão no Brasil aqui e abaixo). É o observatório mais produtivo do mundo e uma prova do que o mundo é capaz quando se une.

Os três parceiros internacionais no ALMA deram as boas vindas a mais de 500 pessoas no Observatório ALMA, para juntos celebrarem o sucesso do projeto. O convidado de honra foi o presidente do Chile, Sebastián Piñera. Ele disse: “O espetacular céu noturno do Chile é um dos nossos imensos recursos naturais. Penso que a ciência tem contribuído de forma vital para o desenvolvimento do Chile nos últimos anos. Estou muito orgulhoso das nossas colaborações internacionais em astronomia, das quais o ALMA é o mais recente e maior resultado”. Na cerimônia, que foi transmitida ao vivo pela internet, também estiveram presentes representantes dos parceiros internacionais no ALMA.

Thijs de Graauw  (diretor do projeto) partilhou as suas expectativas para o ALMA. “Graças ao esforço e inúmeras horas de trabalho por parte dos cientistas e técnicos da comunidade ALMA em todo o mundo, o ALMA é já o telescópio mais avançado que existe trabalhando no milímetro/submilímetro, não se comparando sequer a nada do que tínhamos anteriormente. Estamos desejando que os astrônomos comecem a explorar todo o potencial desta incrível ferramenta”.

“Este é um exemplo das grandes conquistas que são possíveis quando as instituições e nações juntam esforços, aliás uma estratégia subjacente a todos os programas do ESO”, acrescentou Tim de Zeeuw (diretor do ESO). “Aplicando esta estratégia à escala global, arranjando parcerias para um projeto tão grande como este, estamos dando aos astrônomos dos Estados Membros do ESO a possibilidade única de fazerem um tipo de pesquisa única e só possível com o ALMA”.

Brasil no ESO
Em 2010, o Brasil assinou sua entrada como membro do ESO e, portanto, também é “sócio” do ALMA. No entanto, sua condição de membro ainda depende de ratificação do Congresso Nacional. Ao ratificar sua entrada, o país passará a contribuir financeiramente com o ESO e empresas brasileiras poderão fornecer produtos e serviços ao Alma e a outros observatórios.

Apesar de não ser um integrante efetivo do grupo, no entanto, cientistas brasileiros já podem propor observações no novo observatório inaugurado nesta quarta. Esses pedidos, assim como os de astrônomos de outros países, passam pela análise de um corpo técnico para avaliar sua relevância. Toda a informação produzida no ALMA é disponibilizada gratuitamente à comunidade científica após um ano.

Primeiros resultados
Junto com a inauguração oficial do ALMA, foi divulgada a publicação de três artigos com os primeiros resultados produzidos pelo observatporio, dois deles na revista "Nature" e um no "Astrophysical Journal".

Os pesquisadores descobriram que algumas galáxias longínquas se encontram mais longe do que se supunha. Elas são formadoras de estrelas e, com isso, concluiu-se que uma fase de formação intensa desses corpos celestes ocorreu há 12 bilhões de anos, quando o universo tinha menos de 2 bilhões de anos - um bilhão de anos mais cedo do que o que se pensava anteriormente.

Mais do que isso, os cientistas detectaram água em uma destas galáxias, o que configura o registro mais distante desse tipo de molécula no espaço.

Encontrar moléculas essenciais para a existência de vida, como água e compostos orgânicos, é uma das missões do Alma. O equipamento, no entanto, poderá apenas detectar a presença desses ingredientes, e não confirmar efetivamente a existência de vida extraterrestre.
Fonte:
ESO (com modificações)
G1 (com modificações)

2 comentários:

  1. Olá, Otávio!!!!

    Parabéns, pelo ótimo trabalho, esse post de "primeiro mundo"!!!!

    É isso, o que eu digo sobre as ações do ser humano, não medir esforços e/ou gastos, quando se trata em ir buscar informações infinitamente... mais verdadeiras, acabando com os mistérios, mitos e as lendas!!!!
    Agora, através do uso dessas instalações, desse mega projeto astronômico de primeiro mundo ( o Brasil teima em não se enturmar nesse grupo. Por que, hein????) com certeza, teremos informações confiáveis, ou seja, criei "alma nova" com o ALMA a respeito da exploração astronômica!!!!

    Um abraço!!!!!

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    1. Pois é Francisco, o porque de o Brasil não ter ratificado ainda tbm me intriga. Existem astrônomos repeitados que são contra a entrada do Brasil no ESO (até postei sobre isso no blog), mas isso não justifica essa demora.
      Quanto as expectativas ao ALMA são as melhores possíveis. Parece que é mentira que eu, de forma mínima, participei desse projeto.
      Grande abraço e obrigado por divulgar o blog. Você é um grande incentivador para mim. Te espero no Encontro Internacional. :)

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