sábado, 24 de agosto de 2013

Cansado de ver pseudociência falando de mecânica quântica?

Energia, vibrações, pulseiras quânticas... 

Não existe nada mais frustante do que ver a mecânica quântica, uma das mais belas e complexas teorias já criadas, sendo usada para a pseudociência e o misticismo.
No Brasil esse movimento vem ganhando força desde 1970 e parece não ter fim: "energia" e "vibrações" são termos frequentes, pulseirinhas quânticas, consciência quântica cósmica, e por aí vai...

Mas o livro "Pura Picaretagem", do cientista Daniel Bezerra e o jornalista Carlos Orsi vem como um bálsamo para quem deseja desmentir esse movimento e levar a verdade aos mais prejudicados, que são as pessoas que acreditam nessas histórias, enganadas pela própria ignorância e pela esperteza de alguns.


Então, depois de um tempo sem escrever aqui, eu trago essa que é uma ótima opção de leitura. A entrevista com um dos autores, Carlos Orsi, é bem esclarecedora e vale a pena ler um trecho do livro, no final do artigo (e acredite, eu não estou fazendo merchandising, é só uma dica de leitura mesmo). Outra dica é o livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, uma referência no assunto, escrito por Carl Sagan, que dispensa apresentações. Curta e compartilhe esse artigo no Facebook clicando aqui.

O que a mecânica quântica tem de especial para cair nas graças de gurus espiritualistas?
 - Ainda na década de 1920, já havia físicos que alertavam para a provável apropriação futura da mecânica quântica pelo misticismo. Há três fatores que fazem do mundo quântico uma presa atraente nesse sentido. O primeiro é o princípio da incerteza, que diz que algumas propriedades das partículas não podem ser medidas com precisão absoluta. Não é difícil apresentar essa constatação como um sinal de que a ciência “não pode explicar tudo”, criando uma lacuna para alternativas espirituais. Outro ponto é o chamado “problema da medição”, o fato de que certas propriedades das partículas subatômicas só parecem assumir um valor definido quando são medidas. Se você supuser que a medição precisa ser feita por um agente consciente, isso abre todo o campo da chamada “consciência quântica”, a ideia de que o mundo é controlado pelos pensamentos das pessoas, ou dos anjos, ou de Deus. Na verdade, a “medição”, pode ser qualquer interação com outro corpo ou partícula: dois elétrons que se repelem estão “medindo” um ao outro, por exemplo. O terceiro ponto é o emaranhamento quântico, que diz que duas partículas podem continuar a interagir mesmo se separadas por distâncias enormes, o que dá margem à ideia de que “tudo está interligado”. O fato, no entanto, é que o emaranhamento é um estado extremamente delicado, que pode ser destruído pela menor perturbação. Ao contrário do que alguns astrólogos, por exemplo, gostariam de acreditar, não há a menor chance de o cérebro de um capricorniano estar “quanticamente emaranhado” com o planeta Saturno.

Quais são os principais sinais da picaretagem quântica?