terça-feira, 1 de julho de 2014

1º nanosatélite brasileiro foi enviado ao espaço

1º CUBESAT BRASILEIRO JÁ ESTÁ EM ÓRBITA


Atualização (29 de out): os primeiros problemas são com a tensão da bateria do nanosatélite, e podem impedir que ele tenha uma missão completa, veja a notícia aqui.

O Programa Espacial Brasileiro (PEB) teve um importante avanço em meados do mês passado. O país enviou ao espaço o primeiro nanosatélite totalmente projetado e fabricado no Brasil. Esses tipos de satélites pertencem a uma nova tendência do mercado aerospacial por serem pequenos e baratos.

Chamado de NanosatC-BR1 (ou NCBR1), ele foi lançado na missão "ISILaunch 07" às 16h11 (horário de Brasília) da quinta-feira (dia 19) da base de Yasny, na Rússia, pelo foguete Dnepr. Para ilustrar a importância desse feito, desde 2007 este foi o primeiro satélite brasileiro lançado ao espaço com sucesso e que funciona, quando do lançamento do CBERS-2B. Junto com o nosso cubesat, na mesma missão foram lançados 36 cubesats e cerca de 4 ou 5 satélites de maior porte, o maior deles com cerca de 300 kg. Eles foram ejetados da plataforma do ultimo estagio do foguete quando estavam em cima do oceano Índico, 21 minutos após o lançamento, próximo a Madagascar, como pode-se ver na imagem:

Os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Otávio Durão e Nelson Schuch, estavam na base russa para acompanhar o lançamento. O NanosatC-Br1 está numa órbita terrestre baixa, à 610 km de altitude, em orientação polar. Junto com ele, sempre passam também no céu o QB50P1 e o QB50P2, outros dois nanosatélites que foram enviados ao espaço na mesma missão.

CubeSats, são satélites que possuem forma cúbica de 10 cm de aresta, e massa de no máximo 1,33 kg, segundo a padronização criada e desenvolvida pela Cal Poly e pela Universidade de Stanford. Os nanosatélites por sua vez, podem ter até 10 kg. Para resumir, apresento abaixo como os satélites são catalogados segundo seu peso, lembrando que o diferencial dos Cubesats é (além do peso citado), sua forma cúbica:
- Grandes satélites: peso maior que 1000 kg;
- Satélites médios: peso entre 500 e 1000 kg;
- Mini satélites: peso entre 100 e 500 kg;
- Microsatélites: peso entre 10 e 100 kg;
- Nanosatélites: peso entre 1 e 10 kg;
- Picosatélite: peso entre 0,1 e 1 kg;
- Femtosatélite: peso menor a 100 g.

Os primeiros sinais do nanosatélite foram recebidos na estação em Santa Maria (RS), no Centro Regional Sul (CRS) do INPE. Posteriormente, radioamadores em vários países confirmaram a recepção dos sinais. O radioamador Paulo PV8DX, de Boa Vista (RR), disponibilizou o vídeo com o som da primeira passagem do NanosatC-Br1 pelo Brasil. Em outro vídeo, ele mostra que o Modo de Telemetria em Código Morse do NanosatC-Br1 foi substituído pelo Modo digital BPSK, e que além da telemetria (coordenadas, tensão de bateria, painel solar etc...) está também sendo enviado os dados da carga útil. 

O NanosatC-Br1 custou cerca de R$ 800 mil, incluído aí o custos de projeto, fabricação e lançamento. Segundo Otávio Durão (gerente do projeto na sede do INPE), seria possível promover uma missão lunar nesses moldes por cerca de US$ 10 milhões — o mesmo preço que consumiu a primeira viagem tripulada nacional ao espaço, feita por Marcos Pontes em 2006.
(CONTINUE LENDO...)


O Brasil já havia desenvolvido um nanossatélite antes (mas não um cubesat). Contudo, ele jamais chegou a ir ao espaço, tendo sido destruído no acidente com o VLS (Veículo Lançador de Satélites), em Alcântara, em 2003.

O site EO Portal (Earth Observation Portal), que é um catálogo detalhado de satélites, já publicou uma página sobre o nosso Cubesat. Alguns sites possuem importantes informações para radioamadores, as principais são o QSL e a página especialmente desenvolvida pela equipe do INPE para isso.

Graças a equipe do nanosatélite argentino BugSat-1, que anexou sua câmera em um dos gabaritos de integração, a “Innovative Solutions In Space (ISIS)” divulgou o vídeo da integração das cargas uteis da missão (ou seja, os satélites) ao foguete Russo/Ucraniano DNEPR.

 - O projeto:
A ideia do primeiro nanosatélite brasileiro, da classe dos CubeSats, nasceu em 2005, a partir de pesquisas realizadas pelo aluno Silvano Lucas Prochnow, na época bolsista do Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais (CRS-INPE) e aluno do curso de graduação de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Depois, ele foi concebido e criado no CRS/INPE no âmbito da parceria entre o INPE/MCT e a UFSM pelo Dr. Nelson Jorge Schuch, atual Gerente Geral do Projeto, com apoio técnico e gerencial do Dr. Eng. Otávio Santos Cupertino Durão, Gerente local no INPE em São José dos Campos – SP, com a participação de alunos de graduação da UFSM e envolvimento de tecnologistas e engenheiros do INPE.

A missão científica do NCBR1 é o estudo de distúrbios na magnetosfera, principalmente na região da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), e do setor brasileiro do Eletrojato Equatorial Ionosférico. Além disso, ele também permitirá testar, em voo, circuitos integrados resistentes à radiação projetados no Brasil, para utilização em futuras missões de satélites nacionais de maior porte.

O NCBR1 possui três cargas úteis: um magnômetro para utilização dos seus dados pela comunidade científica; um circuito integrado projetado pela Santa Maria Design House da UFSM; e o hardware FPGA, que deve suportar as radiações no espaço em função de um software desenvolvido pelo Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Participa ainda do projeto o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que possui em São José dos Campos (SP) uma estação terrena que também receberá dados do NanosatC-BR1.
 - Nanosatélites argentinos:
Junto com o NCBR1, foi lançado o terceiro nanosatélite argentino, chamado de BugSat-1 (apelidado de Tita, em homenagem a Tita Merelo, atriz, apresentadora e jornalista, recentemente falecida). 
A Argentina já lançou dois nanosatélites em 2013, apelidados de Capitán Beto e Manolito. Lá foi formada uma parceria entre o governo e empresas privadas para a produção desses satélites. Na década de 60 o programa espacial brasileiro estava no mesmo pé ou até mais avançado que o da Índia e o da China. Agora a primeira envia sondas à Lua e a segunda já completou dez anos de vôos espaciais tripulados, enquanto nosso VLS continua firmemente ancorado em terra firme.

 - Visita ao LIT (Laboratório de Integração e Testes), do INPE
Em outubro do ano passado, eu participei de uma visita às instalações do LIT e do INPE, para conhecer o projeto do NCBR1 e participar de uma palestra com pesquisadores de lá. Abaixo algumas imagens da visita. (Imagens: arquivo pessoal)






Fonte:
Relatório final de Projeto de Iniciação Científica, de Eduardo Escobar Bürger (processo Nº: 103111/2009-3). Santa Maria, junho de 2010. Texto impresso

2 comentários:

  1. Olá, bom dia Otávio Jardim Ângelo e demais meus amigos!!!! Saúde, paz e sucessos para todos!!!!
    Aqui temos uma ótima postagem sobre a atual atividade espacial brasileira, com muita informação e bem escrita!!!!
    Parabéns, amigo Otávio, as postagens do seu blog são muito bem escritas e cuidadas nos outros aspéctos!!!!
    Um abraço!!!!!

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  2. Futebol 2014
    Rádio Trans FM 87,9, de Juiz de Fora-MG
    (www.radiotransfm.com.br)

    Equipe Multimídia,
    Domingo
    28/09
    às 15 horas
    Série C 2014
    Tupi-MG x Duque de Caxias-RJ
    Narração: Marco Antonio Campos,
    Comentários: Kilder Oliveira,
    Reportagens: Carlos Ferreira,
    Participação: Jurandi de Oliveira,
    Plantão: André Barbosa
    Coordenação geral: Cláudio Silva de Carvalho (Cacau).

    As informações da literatura, da música, do rádio e do futebol você tem aqui no BLOG:
    www.carlosferreirajf.blogspot.com

    Vem aí as emissoras MULTIMÍDIA da Zona da Mata Mineira, Leste e Sul de Minas, Região dos Lagos, Baixada e Sul Fluminense, empresas da Sociedade Multimídia de Comunicação.

    Att,
    Carlos Alberto Fernandes Ferreira
    https://www.facebook.com/carlosferreirajf?ref=tn_tnmn
    Juiz de Fora-MG

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