segunda-feira, 30 de março de 2015

Ciência na ditadura: avanços, retrocessos e cientistas perseguidos

Amanhã (31 de março) será lançado o site do Projeto “Ciência na Ditadura”, a mesma data em que os militares tomaram o poder. A iniciativa já reúne informações sobre 471 cientistas perseguidos durante o regime militar, que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. O público poderá participar sugerindo nomes de cientistas que ainda não foram incluídos ou corrigindo e complementando os dados publicados. Basta acessá-lo, clique AQUI

O regime militar foi uma época conturbada da história nacional. Mesmo antes do golpe (que alguns historiadores chamam de revolução civil-militar, visto que alguns setores da sociedade o apoiavam), o clima já estava complicado. Compartilhe no Facebook


De um lado, uma extrema esquerda que queria instaurar no Brasil uma "democracia" nos moldes de Cuba, com Brizola pregando o fechamento do Congresso, como exemplo. A resposta veio de forma brutal: uma revolução militar que colocaria o Brasil "no caminho certo", mas que após os primeiros anos e devido a violência crescente dos setores comunistas, tornou-se uma ditadura sanguinária e cruel. Foram entre 400 e 475 desaparecidos políticos e 126 vítimas da guerrilha empreendida por organizações de esquerda.

É inegável que durante esse período foram criados as principais obras de Engenharia no país, e houveram alguns avanços na área da ciência e tecnologia (que o regime considerava estratégico). Como exemplo, podemos citar a Unicamp, que cresceu bastante no período e a própria Capes como conhecemos hoje, criada nesse período. Alguns do objetos do Observatório do Valongo foram adquiridos por acordos internacionais, deliberadamente pleiteados por alguns militares.
Na área espacial, tivemos a criação do Centro de Lançamento Barreira do Inferno (CLBI) e, portanto o 1º lançamento em território nacional, a criação do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço)
 e o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Também foi criada a noção da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), que pretende (até hoje!) criar 4 satélites com aplicações ambientais, desenvolver um veículo lançador de satélites e uma base espacial, tudo com tecnologia nacional.
Também é importante dizer dos avanços na tecnologia nuclear, numa disputa com a Argentina.
"O período de 1968-1974 foi marcado por três iniciativas para o desenvolvimento científico no país, são elas as reformas universitárias; a institucionalização da pós-graduação; a criação da carreira de dedicação exclusiva, portanto todas ligadas às universidades. Podemos perceber que essas iniciativas fixaram os pesquisadores aqui no país e aumentou significativamente o financiamento nas áreas da ciência e da tecnologia." [*]
No primeiro aniversário do golpe, 300 intelectuais (sendo 77 do Rio), muitos deles cientistas, assinaram um manifesto em apoio à "revolução", que foi publicado nos jornais. Entre os seus assinantes estavam o então reitor da UFRJ, o diretor do Instituto de Física e diversos pesquisadores de destaque da UFRJ, em particular da área das ciências da saúde.

Porém, a ciência brasileira perdeu muito também.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Explosão faz surgir estrela "nova" visível no céu

O surgimento de algum ponto brilhante no céu noturno sempre fascinou a humanidade, desde os primeiros registros que temos.
E atualmente, uma "nova estrela" surgiu no céu, na constelação de Sagitário (Arqueiro), sendo visível com pequenos binóculos ou até mesmo a olho nu, dependendo da luminosidade do local do observador. Compartilhe no Facebook

Você nunca sabe quando ou onde pode "surgir" uma estrela desse tipo. No domingo, dia 15 de março, John Seach, um caçador de estrelas desse tipo, da ilha de Chatsworth (Austrália), achou uma estrela de sexta magnitude brilhando através de três imagens tiradas pela sua câmera de patrulha DSLR, no asterisco Bule de Chá, da constelação Sagitário. Na noite anterior, a câmera não tinha gravado nada, para um limite de magnitude de 10.5.

Na manhã de ontem (domingo, dia 22) essa estrela "recém-descoberta" já estava com uma magnitude de 4.3. Isso é quase 2 magnitudes mais brilhante que na sua descoberta, na semanas passada! Atualmente é a mais brilhante estrela dentro do Chá de Bule, de Sagitário, e ganhou 0.3 magnitudes por dia, entre o dia 16 e 21. Ela parece ser a mais brilhante estrela do tipo Nova nessa constelação, pelo menos desde 1898. Acredita-se que a estrela progenitora tinha uma magnitude de 15 pontos.

Mas antes de continuar com a história dessa descoberta, vamos explicar o que é magnitude e o conceito de "nova". (Continue lendo para saber como observá-la)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Três eventos astronômicos acontecerão no mesmo dia, uma rara coincidência

Imagine um dia que aconteça um eclipse total do Sol, uma SuperLua e o equinócio de outono; três fenômenos astronômicos que sempre chamam muita atenção do público. Esse dia tem data e os fenômenos já tem hora marcada. É amanha! Compartilhe no Facebook.
Este foi o primeiro artigo da parceria com Campuseiro's Club. Leia este artigo lá clicando aqui.
Embora pareça lógico que esses três fenômenos estejam intimamente ligados entre si, a verdade é que a influência de um sobre o outro é mínima, quase ilusória. É mais uma interessante coincidência, causada pelo movimento natural da Terra e da Lua explicada pela mecânica celeste.
Em breves palavras um eclipse solar acontece quando a Lua está entre a Terra e o Sol, bloqueando os raios solares de atingir o planeta. É sempre muito raro uma região presencial esse fenômeno, devido a a pequena extensão da sombra lunar projetada na Terra, mas é sem dúvida, o evento celeste periódico mais fascinante.
A SuperLua, praticamente um viral nas redes sociais, nada mais é do que o ponto da órbita lunar que o nosso satélite natural está mais próximo da Terra, às vezes também associado a lua cheia. Um evento cheio de histórias, que teve esse nome cunhado pelo astrólogo Richard Nolle (sim, astrólogo!). Veja a tabela de datas da SuperMoon e leia sua história.
Já o equinócio de outono dita o início dessa estação no hemisfério sul, marcando também uma data cheia de história (principalmente nas civilizações antigas) e o momento em que o dia e a noite tem a mesma duração
Segundo o The Independent, as próximas vezes que um eclipse solar ocorrerá ao mesmo tempo em que um equinócio serão em 2053 e 2072.
Eclipse solar 
Na sexta-feira pela manhã, a enorme sombra em formato elíptico da Lua, que terá 463 quilômetros de comprimento por 150 quilômetros de largura, começará a ser projetada no Atlântico Norte, um pouco ao sul da Groenlândia. Ela vai seguir uma trajetória semelhante a um semicírculo, passando entre a Islândia e o Reino Unido e depois seguindo até o Polo Norte. No caminho, ela encobrirá as ilhas dinamarquesas Faroé e, em seguida, o arquipélago de Svalbard, que pertence à Noruega.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Pela primeira vez, chegamos a um planeta anão. Dê um oi para Ceres

A sonda Dawn entrou hoje em órbita do planeta anão Ceres (dia 6), tornando-se a primeira sonda a orbitar um objeto dessa classificação. Depois de 7 anos e meio, e cerca de 5 milhões de km de viagem, podemos dizer que Dawn chegou em sua verdadeira casa.

E embora você pense que não há nada de interessante num planeta anão (que já foi classificado como planeta e depois asteroide), vou te mostrar que essa sonda ainda vai trazer muitas surpresas.

A entrada da sonda na órbita de Ceres ocorreu às 9h39min (horário de Brasília) e foi uma manobra sem muito risco, devido ao fato da sonda usar propulsores iônicos. Esses motores dão a sonda uma aceleração bem pequena (ela é impulsionada por jatos de íons acelerados) comparada aos outros foguetes convencionais, mas por causa disso, consomem muito pouco combustível e assim funcionam por anos. No final, a aceleração cedida é muito grande. Com a vantagem da sonda ser "manobrável" no espaço. No momento da manobra, a comunicação da sonda não foi recebida, pois ocorreu quando Ceres estava entre a Terra e a sonda Dawn. Compartilhe no Facebook.

A partir de agora serão 16 meses de exploração, com início completo no final de abril. A sonda ficará a 13,5 mil km de altitude. Mas, ao longo da missão, a sonda fará rasantes de até 400 km acima da superfície (essa é a altura da Estação Espacial, que está em órbita da Terra). A inserção orbital completa durará cerca de 2 semanas.

 - O que são os pontos brilhantes na sua superfície?
 - Existe a possibilidade de ter ou ter tido vida lá, devido a grande quantidade de gelo?
 - Por que Ceres não virou planeta?