quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Plutão possui gelo de água e um céu azul

No começo da semana a NASA anunciou que hoje, quinta (dia 8) faria um anúncio importante sobre Plutão. O anúncio, na verdade duas descobertas, são de que o céu em Plutão é azul, assim como aqui na Terra; e que o planetóide possui gelo feito de água em sua superfície.
Embora pareçam descobertas irrelevantes, elas apresentam um novo panorama sobre o astro. Abaixo a tradução da nota oficial da NASA:

As primeiras imagens coloridas de neblinas na atmosfera de Plutão, feitos semana pela sonda New Horizons da NASA, revelam que as neblinas são azuis.
"Quem poderia esperar um céu azul no Cinturão de Kuiper? É lindo ", disse Alan Stern, investigador principal do Instituto Southwest Research (SwRI), Boulder, Colorado. Plutão é um planeta-anão, situado numa região pós-netuniana chamada Cinturão de Kuiper.

As partículas da neblina são provavelmente cinza ou vermelha, mas a maneira como elas dispersam a luz azul chamou a atenção da equipe de ciência da New Horizons. "A impressionante tonalidade azul nos fala sobre o tamanho e a composição das partículas de neblina", disse o pesquisador Carly Howett, também do SwRI. "Um céu azul muitas vezes resulta da dispersão da luz solar por partículas muito pequenas. Na Terra, essas partículas são pequenas moléculas de nitrogênio. Em Plutão elas parecem ser maiores - mas ainda são relativamente pequenas - partículas de fuligem chamadas de tholins". Os cientistas acreditam que as partículas de tholin são formadas na alta atmosfera de Plutão, onde a luz ultravioleta do Sol se rompe e ioniza as moléculas de nitrogênio e metano, permitindo-lhes reagir umas com as outras para formar íons mais complexos, positivos ou negativos.
Quando elas se recombinam, elas formam macromoléculas muito complexas, um processo que foi encontrado pela primeira vez na alta atmosfera da lua Titã, de Saturno. As moléculas mais complexas continuar a se combinar e crescer até que se tornem pequenas partículas; gases voláteis se condensam e revestem suas superfícies com gelo antes que elas tenham tempo de sair da atmosfera para chegar a superfície, onde elas adicionam a coloração vermelha para Plutão.

Uma segunda constatação significativa, a New Horizons detectou inúmeras pequenas regiões de gelo de água em Plutão. A descoberta foi feita a partir de dados coletados por um equipamento da sonda chamado Ralph, que estuda a composição espectral. 
"Grandes extensões de Plutão não apresentam água congelada na superfície", disse Jason Cook, "porque elas são aparentemente mascaradas por outros tipos de gelos, mais voláteis em quase todo o planeta. Entender por que a água aparece exatamente onde ela se faz, e não em outros lugares, é um desafio que estamos nos aprofundando."
A imagem possui cerca de 450 km e é composta por imagens no visível e em infravermelho

domingo, 27 de setembro de 2015

É HOJE: tudo que precisa saber sobre o Eclipse total da Lua + SuperLua

Aclamado por muitos como o maior fenômeno astronômico do ano, finalmente o tão aguardado 27 de setembro chegou. E com ele, todo o país poderá ver um evento raro: um eclipse total da Lua na mesma época em que o nosso satélite natural está no ponto mais perto da Terra. A próxima vez que isso ocorrerá, sendo visível aqui do Brasil, será só no longínquo 2069.
Como apareceram muitas nomenclaturas para esse evento de hoje, e como existiu muita informação errada ou incompleta, resolvi separar esse artigo em partes, para ficar mais rápido o entendimento e o acesso às informações.

Mas antes queria ressaltar a raridade do evento de hoje e informar alguns erros que a mídia vem cometendo sobre isso. O próximo eclipse total da Lua vai ser visível aqui no Brasil e será no dia 21 de janeiro de 2019. Porém, o próximo eclipse total da Lua com uma SuperLua só acontecerá em 8 de outubro de 2033 e não será visível aqui do país, consertando o erro que muitos jornais cometeram compartilhando dados e vídeos da NASA. O vídeo foi feito pela agência americana, e informa o próximo eclipse desse tipo visto lá dos EUA. O próximo Eclipse Lunar Total com a Super Lua visível aqui do Brasil só será na noite de 29 para 30 de outubro de 2069, daqui a 54 anos!

Abaixo apresento todos os dados sobre o fenômeno que acontece hoje, as explicações para os termos SuperLua, Lua Sangrenta e para as conspirações que dizem que esse eclipse será o início de uma época de terror no planeta.
Também explico o que é um eclipse e conto o papel da Lua na mitologia grega, lembrando o quanto esse astro inspirou os visionários do passado, poetas e enamorados.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Pela primeira vez é feito um estudo sobre a poluição luminosa a partir do espaço

Os cientistas estão usando as fotografias tiradas pelos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) para fazer uma medição confiável da quantidade de poluição luminosa em todo o mundo. O diferencial desse estudo é que ele inclui não só o rastro de luz conhecido das cidades e ruas, mas também os fracos efeitos indiretos e dispersos da luz, que até agora não tinham sido medidos quantitativamente. Os novos resultados mostram que a luz difusa, que é vista do espaço, é proveniente da dispersão da luz de postes e edifícios. Esta é a componente responsável pelo brilho dos céus noturnos em torno das cidades, que deixa o céu com uma aparência 'vermelha" (isso deve-se a reflexão da luz por partículas de pó e gotículas formadas pela umidade) e que limita drasticamente a visibilidade das estrelas e da Via Láctea. A equipe também chegou a uma conclusão espantosa: os países e as cidades europeias com uma grande dívida pública também têm maior consumo de energia com iluminação pública por habitante, e que o custo total desse consumo de energia para iluminação pública é de 6,3 bilhões de euros por ano, e isso só nos países da União Européia. Em outro estudo feito (pela brasileira Nicole Cabral, em que este autor foi citado nos agradecimentos :) ), os dados parecem apontar que não existe ligação entre maior criminalidade e pouca luminosidade pública!


Na imagem, uma montagem que mostra a luminosidade em Milão antes e depois da adoção das lâmpadas LED. Na primeira, o nível de iluminação do centro da cidade é semelhante a seus subúrbios. Após a transição para a tecnologia LED no centro, os níveis de iluminação parecem ser maiores no centro do que nos subúrbios, e a quantidade de luz azul é agora muito maior, o que sugere um maior impacto sobre a capacidade de ver as estrelas, a saúde humana e o meio ambiente (aumentando assim a poluição luminosa).

O estudo inédito faz parte do projeto chamado "Cities at Night" (Cidades à Noite), feito por cientistas da Universidade Complutense de Madrid (Espanha) e o Cégep de Sherbrooke, uma instituição de ensino técnico e pré-universitário no Canadá. O objetivo desse projeto é produzir um mapa global colorido da Terra à noite, a partir de fotos tiradas pelos astronautas na Estação Espacial usando uma câmera digital padrão, visto que apenas uma pequena fração da superfície terrestre foi coberta por fotos de astronautas (e uma fração ainda menor foi referenciada).

Iniciado em julho de 2014, o projeto requereu a catalogação de mais de 130 000 imagens, vindas do arquivo de alta resolução da ISS. Depois, tiveram que colocá-las num mapa de georreferenciação e calibrá-las utilizando as estrelas ao fundo, bem como medições terrestres de brilho do céu noturno. Os resultados foram apresentados essa semana durante a 29ª Assembléia Geral da IAU (União Astronômica Internacional), em Honolulu, Havaí.

Anteriormente, as medições de poluição luminosa tinham que ser feitas aqui na Terra. Este novo método, que liga as medições de brilho feitas no espaço com as medições feitas aqui no solo, torna possível pela primeira vez, mapear a poluição luminosa de forma confiável sobre extensas áreas.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O tecido quântico do espaço-tempo

Em uma série de três artigos, a Quanta Magazine publicou sobre os estudos de maior impacto científico para explicar uma nova concepção que correlaciona a Teoria da Relatividade Geral, publicada em 1915 pelo físico alemão Albert Einstein (1879 - 1955), com descrições importantes da Física Quântica, revelando o complexo modelo existencial do espaço-tempo.

Teoria Geral da Relatividade pode ser modestamente compreendida como uma paisagem do espaço-tempo deformado nas pinturas do artista espanhol Salvador Dalí (1904 - 1989), sendo ininterrupta e geométrica, porém as partículas quânticas que ocupam esse espaço assemelham-se à arte do pintor francês Georges Seurat (1859 - 1891), sendo pontilhada e discreta. Fundamentalmente, partindo desta analogia, as duas descrições discordam em aspectos importantes, a partir de então, uma nova concepção bastante ousada sugere que as correlações quânticas entre "manchas de pintura surrealistas" também criam o espaço tridimensional sobre "uma série de pontos".

Apresentação interativa: tecido do espaço-tempo, feita por Owen Cornec.
Ao relacionar o paradoxo EPR (nomeado conforme seus autores, Albert Einstein, Boris Podolsky e Nathan Rosen) que Einstein denominou de "ação fantasmagórica à distância" entre as partículas quânticas (entrelaçamento quântico) com a explicação da conexão de dois buracos negros nos confins do espaço através da "Ponte de Einstein-Rosen" (popularmente conhecida como "Buraco de Minhoca"), notou-se que são duas manifestações de pensamento sobre um mesmo ideal, sendo justamente essa conexão responsável pela formação da base de todo o espaço-tempo.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Aberta oportunidade de nomeação OFICIAL de estrelas e planetas

Foram pessoas que nomearam os objetos celestes por milênios. Porém atualmente é a União Astronômica Internacional (IAU, em inglês) que tem a tarefa de atribuir nomes reconhecidos cientificamente para os recém descobertos corpos celestes, por seus países membros. O concurso “NameExoWorlds” fornece não apenas a 1ª oportunidade para o publico nomear planetas fora do Sistema Solar (chamados de exoplanetas), mas também pela primeira vez em séculos, a dar nomes populares a algumas estrelas - aquelas das quais se tem descoberto exoplanetas em suas órbitas. Já abordamos a questão de nomear e "comprar" uma estrelas aqui no blog, leia aqui.


Alguns desses sistemas são de um único planeta (sistema simples), enquanto outros são sistemas com vários planetas (sistemas múltiplos). Cada organização pode submeter um nome proposto, para um exoplaneta apenas. O número de nomes que precisa ser submetido depende do tipo de sistema selecionado. Para sistemas planetários simples e múltiplos, o nome de cada planeta deve ser apresentado, bem como um nome para a estrela hospedeira. Na lista de 20 sistemas estelares, cinco estrelas já tem um nome definitivo. Consequentemente, essas cinco estrelas não podem ser colocadas para nomeação pública. Existem 15 estrelas e 32 planetas (47 objetos no total) disponíveis para nomeação. Compartilhe no Facebook
O nome provisório, curiosidades e história das vinte estrelas hospedeiras é explicado, junto com mensagens pessoais de alguns dos descobridores no site.

Para participar da competição, clubes e organizações sem fins lucrativos devem primeiro se registrar no Diretório Mundial de Astronomia da IAU. O prazo de entrega para esse registro foi prorrogado até às 23h59min UTC de 1 de junho de 2015. Vale lembrar que o horário citado, no horário de Brasília, corresponde às 20h59 do respectivo dia.
Os nomes propostos devem ser apresentados aqui. Toda submissão de nomeação tem que cumprir as convenções de nomenclatura da IAU e deve ser sustentada por uma argumentação detalhada para essa escolha. O prazo para a apresentação de propostas de nomeação é até às 23h59min UTC de 15 de junho de 2015. Novamente, no horário de Brasília: 20h59min do dia 15 de junho.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

8º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica

Hoje (9 de abril) começou um dos maiores eventos de ciência do Brasil; e em astronomia, um dos mais reconhecidos do mundo. O 8º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica (EIAA), realizado na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ) vai até o dia 11, com palestras, mini-cursos, exposição de foguetes e observação do céu.

Entre os principais palestrantes, temos Anousheh Ansari (1ª mulher turista espacial) e Stephen Ramsden (fundador do maior projeto de divulgação de astronomia do mundo). 

O evento é realizado pelo Clube de Astronomia Louis Cruls, único com chancela da Unesco. E no fim de semana anterior aconteceu o Pré-Encontro, evento realizado no Shopping Boulevard, com observação do céu e exposição de foguetes, maquetes, etc. Veja mais sobre as edições anteriores do Encontro Internacional.

ATENÇÃO: este artigo será atualizado com as fotos do evento.

Abaixo a lista e a descrição dos palestrantes:

- Anousheh Ansari:
Em 18 de setembro de 2006, Ansari subiu ao espaço numa nave russa a Soyuz TMA-9, para uma estadia de nove dias a bordo da Estação Espacial Internacional, a primeira mulher turista a visitá-la. Anousheh Ansari dá nome ao prêmio Ansari X Prize, oferecido pela fundação X-Prize a quem fizesse o primeiro voo espacial sub-orbital independente da história.

- Oded Ben-Horin:
Coordenador de Projetos do projeto Comenius Multilateral UE CREAT-IT. CREAT-IT explora a criatividade no ensino da ciência interdisciplinar inspirado nas artes nos seguintes países: Noruega, Reino Unido, Grécia, Sérvia, Itália e Bélgica. Ele é, junto com o professor Magne Espeland, o idealizador do "Escrever uma Opera de Ciência" (WASO), uma metodologia educacional que atua em cinco países europeus (www.hsh.no/waso). Oded vai, em 2015, coordenar o projeto "SkyLight: a Opera Global Science" com a Rede de Formação de Professores Galileu. O projeto foi oficialmente endossado pela União Astronômica Internacional (IAU).

- Patrick Miller:
Fundador e diretor da Campanha de Busca Astronômica Internacional (IASC). Um magnífico programa internacional de busca de asteroides com a participação de estudantes de ensino médio e de universidades.

- Pedro Ré:
Astrônomo amador há mais de 40 anos, seu principal interesse são imagens do céu. Ele possui dois observatórios e suas imagens já foram publicadas até na revista Sky and Telescope. Ele é um biólogo marinho e professor da Universidade de Lisboa (Portugal). Pedro Ré tem PhD em Ecologia Animal.

Claudio Melo:
É o chefe do escritório para Ciência no Chile do ESO. Seus principais interesses são encontrar planetas em diferentes ambientes, tais como aglomerados abertos, estrelas pobres em metal e jovens estrelas. Do ponto de vista técnico, Claudio está familiarizado com medições de alta precisão de velocidades radiais e está interessado em como superar as diferentes fontes de ruído para atingir os 10 cm/s de precisão e, eventualmente, encontrar uma exo-Terra. Para os próximos anos, ele está disposto a desenvolver novos projectos no domínio da Astrobiologia.

- Martin Makler:
É Pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Tem experiência nas áreas de Astronomia e Física, com ênfase em Cosmologia, atuando principalmente nos seguintes temas: lentes gravitacionais, aglomerados de galáxias, energia e matéria escuras, quartessência e formação de estruturas em grande escala. Coordena o SOAR Gravitational Arc Survey e a participação brasileira no CFHT Stripe 82 Sruvey e VISTA-CFHT Stripe 82 Survey. Também tem forte atuação na área de divulgação e popularização científica.

- Stephen Ramsden:
Fundador e diretor do maior programa sem fins lucrativos de popularização de astronomia no mundo, O Projeto de Astronomia Solar Charlie Bates (SBSAP, na sigla em ingês) possui os famosos sites solarastronomy.org e solarscopereviews.com. CBSAP oferece alta tecnologia para divulgação da Astronomia de forma absolutamente gratuita a mais de 250.000 pessoas no mundo anualmente.

- Mike Simmons:
É astrônomo amador há 40 anos e adora compartilhar o céu com os outros. Mike participou da Los Angeles Astronomical Society no início de 1970 e participou ativamente da sociedade, incluindo dois mandatos como Presidente e dez anos no Conselho de Administração. Vendo astronomia como um interesse universal, que transcende as diferenças culturais, Mike fundou os Astrônomos Sem Fronteiras (AWB) em 2006. Mike é também um escritor e fotógrafo, que tem contribuído para publicações como Scientific American, Astronomy and Sky and Telescope, onde ele é um editor contribuinte. Em 2005, Mike recebeu o Clifford W. Holmes Award, uma honraria concedida anualmente pela RTMC para uma "grande contribuição para a popularização da Astronomia". Em 2009, Mike recebeu o prestigioso Prêmio G. Bruce Blair concedido anualmente para os astrônomos amadores pelas "excelentes contribuições para a astronomia amadora." O planeta menor Simmons foi nomeado em sua honra em 2003, em parte por suas "atividades de extensão variadas em astronomia."

Esse ano o evento é realizado no IFF (Instituto Federal Fluminense), no campus Guarus e o alojamento na Fundação Municipal de Esportes.

A programação completa do evento pode ser vista abaixo:

segunda-feira, 30 de março de 2015

Ciência na ditadura: avanços, retrocessos e cientistas perseguidos

Amanhã (31 de março) será lançado o site do Projeto “Ciência na Ditadura”, a mesma data em que os militares tomaram o poder. A iniciativa já reúne informações sobre 471 cientistas perseguidos durante o regime militar, que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. O público poderá participar sugerindo nomes de cientistas que ainda não foram incluídos ou corrigindo e complementando os dados publicados. Basta acessá-lo, clique AQUI

O regime militar foi uma época conturbada da história nacional. Mesmo antes do golpe (que alguns historiadores chamam de revolução civil-militar, visto que alguns setores da sociedade o apoiavam), o clima já estava complicado. Compartilhe no Facebook


De um lado, uma extrema esquerda que queria instaurar no Brasil uma "democracia" nos moldes de Cuba, com Brizola pregando o fechamento do Congresso, como exemplo. A resposta veio de forma brutal: uma revolução militar que colocaria o Brasil "no caminho certo", mas que após os primeiros anos e devido a violência crescente dos setores comunistas, tornou-se uma ditadura sanguinária e cruel. Foram entre 400 e 475 desaparecidos políticos e 126 vítimas da guerrilha empreendida por organizações de esquerda.

É inegável que durante esse período foram criados as principais obras de Engenharia no país, e houveram alguns avanços na área da ciência e tecnologia (que o regime considerava estratégico). Como exemplo, podemos citar a Unicamp, que cresceu bastante no período e a própria Capes como conhecemos hoje, criada nesse período. Alguns do objetos do Observatório do Valongo foram adquiridos por acordos internacionais, deliberadamente pleiteados por alguns militares.
Na área espacial, tivemos a criação do Centro de Lançamento Barreira do Inferno (CLBI) e, portanto o 1º lançamento em território nacional, a criação do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço)
 e o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Também foi criada a noção da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), que pretende (até hoje!) criar 4 satélites com aplicações ambientais, desenvolver um veículo lançador de satélites e uma base espacial, tudo com tecnologia nacional.
Também é importante dizer dos avanços na tecnologia nuclear, numa disputa com a Argentina.
"O período de 1968-1974 foi marcado por três iniciativas para o desenvolvimento científico no país, são elas as reformas universitárias; a institucionalização da pós-graduação; a criação da carreira de dedicação exclusiva, portanto todas ligadas às universidades. Podemos perceber que essas iniciativas fixaram os pesquisadores aqui no país e aumentou significativamente o financiamento nas áreas da ciência e da tecnologia." [*]
No primeiro aniversário do golpe, 300 intelectuais (sendo 77 do Rio), muitos deles cientistas, assinaram um manifesto em apoio à "revolução", que foi publicado nos jornais. Entre os seus assinantes estavam o então reitor da UFRJ, o diretor do Instituto de Física e diversos pesquisadores de destaque da UFRJ, em particular da área das ciências da saúde.

Porém, a ciência brasileira perdeu muito também.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Explosão faz surgir estrela "nova" visível no céu

O surgimento de algum ponto brilhante no céu noturno sempre fascinou a humanidade, desde os primeiros registros que temos.
E atualmente, uma "nova estrela" surgiu no céu, na constelação de Sagitário (Arqueiro), sendo visível com pequenos binóculos ou até mesmo a olho nu, dependendo da luminosidade do local do observador. Compartilhe no Facebook

Você nunca sabe quando ou onde pode "surgir" uma estrela desse tipo. No domingo, dia 15 de março, John Seach, um caçador de estrelas desse tipo, da ilha de Chatsworth (Austrália), achou uma estrela de sexta magnitude brilhando através de três imagens tiradas pela sua câmera de patrulha DSLR, no asterisco Bule de Chá, da constelação Sagitário. Na noite anterior, a câmera não tinha gravado nada, para um limite de magnitude de 10.5.

Na manhã de ontem (domingo, dia 22) essa estrela "recém-descoberta" já estava com uma magnitude de 4.3. Isso é quase 2 magnitudes mais brilhante que na sua descoberta, na semanas passada! Atualmente é a mais brilhante estrela dentro do Chá de Bule, de Sagitário, e ganhou 0.3 magnitudes por dia, entre o dia 16 e 21. Ela parece ser a mais brilhante estrela do tipo Nova nessa constelação, pelo menos desde 1898. Acredita-se que a estrela progenitora tinha uma magnitude de 15 pontos.

Mas antes de continuar com a história dessa descoberta, vamos explicar o que é magnitude e o conceito de "nova". (Continue lendo para saber como observá-la)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Três eventos astronômicos acontecerão no mesmo dia, uma rara coincidência

Imagine um dia que aconteça um eclipse total do Sol, uma SuperLua e o equinócio de outono; três fenômenos astronômicos que sempre chamam muita atenção do público. Esse dia tem data e os fenômenos já tem hora marcada. É amanha! Compartilhe no Facebook.
Este foi o primeiro artigo da parceria com Campuseiro's Club. Leia este artigo lá clicando aqui.
Embora pareça lógico que esses três fenômenos estejam intimamente ligados entre si, a verdade é que a influência de um sobre o outro é mínima, quase ilusória. É mais uma interessante coincidência, causada pelo movimento natural da Terra e da Lua explicada pela mecânica celeste.
Em breves palavras um eclipse solar acontece quando a Lua está entre a Terra e o Sol, bloqueando os raios solares de atingir o planeta. É sempre muito raro uma região presencial esse fenômeno, devido a a pequena extensão da sombra lunar projetada na Terra, mas é sem dúvida, o evento celeste periódico mais fascinante.
A SuperLua, praticamente um viral nas redes sociais, nada mais é do que o ponto da órbita lunar que o nosso satélite natural está mais próximo da Terra, às vezes também associado a lua cheia. Um evento cheio de histórias, que teve esse nome cunhado pelo astrólogo Richard Nolle (sim, astrólogo!). Veja a tabela de datas da SuperMoon e leia sua história.
Já o equinócio de outono dita o início dessa estação no hemisfério sul, marcando também uma data cheia de história (principalmente nas civilizações antigas) e o momento em que o dia e a noite tem a mesma duração
Segundo o The Independent, as próximas vezes que um eclipse solar ocorrerá ao mesmo tempo em que um equinócio serão em 2053 e 2072.
Eclipse solar 
Na sexta-feira pela manhã, a enorme sombra em formato elíptico da Lua, que terá 463 quilômetros de comprimento por 150 quilômetros de largura, começará a ser projetada no Atlântico Norte, um pouco ao sul da Groenlândia. Ela vai seguir uma trajetória semelhante a um semicírculo, passando entre a Islândia e o Reino Unido e depois seguindo até o Polo Norte. No caminho, ela encobrirá as ilhas dinamarquesas Faroé e, em seguida, o arquipélago de Svalbard, que pertence à Noruega.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Pela primeira vez, chegamos a um planeta anão. Dê um oi para Ceres

A sonda Dawn entrou hoje em órbita do planeta anão Ceres (dia 6), tornando-se a primeira sonda a orbitar um objeto dessa classificação. Depois de 7 anos e meio, e cerca de 5 milhões de km de viagem, podemos dizer que Dawn chegou em sua verdadeira casa.

E embora você pense que não há nada de interessante num planeta anão (que já foi classificado como planeta e depois asteroide), vou te mostrar que essa sonda ainda vai trazer muitas surpresas.

A entrada da sonda na órbita de Ceres ocorreu às 9h39min (horário de Brasília) e foi uma manobra sem muito risco, devido ao fato da sonda usar propulsores iônicos. Esses motores dão a sonda uma aceleração bem pequena (ela é impulsionada por jatos de íons acelerados) comparada aos outros foguetes convencionais, mas por causa disso, consomem muito pouco combustível e assim funcionam por anos. No final, a aceleração cedida é muito grande. Com a vantagem da sonda ser "manobrável" no espaço. No momento da manobra, a comunicação da sonda não foi recebida, pois ocorreu quando Ceres estava entre a Terra e a sonda Dawn. Compartilhe no Facebook.

A partir de agora serão 16 meses de exploração, com início completo no final de abril. A sonda ficará a 13,5 mil km de altitude. Mas, ao longo da missão, a sonda fará rasantes de até 400 km acima da superfície (essa é a altura da Estação Espacial, que está em órbita da Terra). A inserção orbital completa durará cerca de 2 semanas.

 - O que são os pontos brilhantes na sua superfície?
 - Existe a possibilidade de ter ou ter tido vida lá, devido a grande quantidade de gelo?
 - Por que Ceres não virou planeta?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Inscrições abertas para o Curso à Distância do Observatório Nacional 2015: Cosmologia

Um dos cursos mais esperados para os entusiastas em astronomia abriu INSCRIÇÕES hoje.

O curso à distância na área de astronomia, em nível de divulgação, é oferecido regularmente pela Divisão de Atividades Educacionais do Observatório Nacional. O seu principal objetivo é socializar o conhecimento científico por meio de um veículo eletrônico que hoje é usado por grande parte da população, a internet.
Entre no grupo de discussão do curso no FacebookVeja o site OFICIAL AQUI. Hoje os cursos a distância são uma importante ferramenta de inserção social, pois permitem que todas as camadas da população tenham acesso à informação científica, veiculada com uma linguagem simples.
Este curso é uma grande oportunidade para aproximar a ciência da sociedade.

Duração do curso
O curso de "Cosmologia" terá duração de 05 (cinco) meses, sendo iniciado no dia 09 de março de 2015 e encerrado no dia 10 de agosto de 2015. O curso é constituído de 10 (dez) módulos, num total de 60 capítulos.
Inscrição
Neste curso teremos uma nova forma de inscrição e emissão de certificados. As inscrições serão abertas no dia 27/02/2015 e permanecerão abertas até o final do último dia de prova (10/08/2015).
O curso não tem custos
Os cursos a distância, oferecidos pelo Observatório Nacional, são inteiramente grátis. Nenhuma taxa é cobrada aos participantes. O material produzido, disponibilizado no site, pode ser copiado (download) e impresso, desde que não seja publicado em outros meios ou vendido, o que caracteriza crime de propriedade intelectual.
O participante que receber qualquer mensagem ou sugestão que indique custos, deve enviar imediatamente uma cópia para daed@on.br para tomarmos as providências cabíveis.

HISTÓRIA DA COSMOLOGIA
Início 09 de março/2015, prova 24 a 27/abril/2015
CONHECENDO O UNIVERSO EM QUE VIVEMOS
Início 09 de março/2015, prova 24 a 27/abril/2015
A TEORIA RELATIVÍSTICA DA GRAVITAÇÃO E A NOVA VISÃO DO CONTEÚDO DO UNIVERSO
Início 28 de abril/2015, prova 29/maio/2015 a 01/junho/2015
O NOVO CONCEITO DE ESPAÇO E TEMPO E A TEORIA RELATIVÍSTICA DA GRAVITAÇÃO
Início 28 de abril/2015, prova 29/maio/2015 a 01/junho/2015
OS MODELOS COSMOLÓGICOS
Início 28 de abril/2015, prova 29/maio/2015 a 01/junho/2015
CONCEITOS FUNDAMENTAIS SOBRE A ESTRUTURA DA MATÉRIA
Início 28 de abril/2015, prova 29 a 01/junho/2015
A HISTÓRIA TÉRMICA DO UNIVERSO
Início 02 de junho/2015, prova 03 a 06/julho/2015
NEM TODOS ACEITAM O BIG BANG: AS TEORIAS ALTERNATIVAS
Início 02 de junho/2015, prova 03 a 06/julho/2015
GRAVITAÇÃO QUÂNTICA E OS PROBLEMAS DO ESPAÇO E DO TEMPO
Início 07 de julho/2015, prova 07 a 10/agosto/2015
NOVAS IDEIAS SOBRE O UNIVERSO
Início 07 de julho/2015, prova 07 a 10/agosto/2015




























sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A relação entre o Carnaval e a Astronomia

A astronomia está presente no nosso cotidiano de forma mais intensa do que podemos imaginar. O nosso calendário e as datas de algumas famosas festividades se baseiam nos movimentos de nosso planeta e de nosso satélite natural, a Lua. Exemplos marcantes dessa relação são o Carnaval e a Páscoa. Para saber a data de início do Carnaval, necessitamos primeiro determinar a data do domingo de Páscoa. Vale ressaltar que o Clube de Astronomia Louis Cruls participou do carnaval de 2012, no Rio de Janeiro.
A Páscoa é uma das maiores festividades cristãs, celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Houve um longo debate, na Igreja Católica, para definir como seria determinado o dia da Páscoa. No Concílio de Niceia, realizado no ano 325, foram criadas as tabelas Eclesiásticas. Nessas tabelas, são definidas formas de determinar as datas de fenômenos astronômicos sem a necessidade de conhecimento de astronomia. Desse modo são definidas as fases da Lua (cheia, nova...) eclesiásticas (referem-se ao movimento de uma Lua imaginária, não tendo relação com as fases reais da Lua), e os equinócios e solstícios eclesiásticos. Utilizou-se como referência para essas escolhas o Ciclo Metônico. Compartilhe esse artigo no Facebook.

 O astrônomo ateniense Méton apresentou uma proposta para corrigir problemas em relação ao ajuste das datas dos fenômenos astronômicos nos calendários da época. O calendário que era usado em Atenas tinha 12 meses de 29 e 30 dias intercalados. O que totalizava 354 dias. Para manter a coincidência, entre o ano Solar e o Lunar, os gregos realizavam alguns ajustes. Méton determinou em 430 A. C. um período de 19 anos, com anos com 13 meses lunares, os anos 3, 6, 9, 11, 14, 17 e 19 (os famosos números áureos, festejados com bastante intensidade pelos gregos) e os demais com 12 meses. Essa escolha permitia uma boa coincidência com o ano Solar. Esse ciclo, conhecido como Ciclo Metônico, foi usado para os cômputos eclesiásticos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014 (Parte 2): o que marcou o ano na astronomia e na exploração espacial

Para finalizar nossa retrospectiva, vamos falar do maior feito do ano, o memorável pouso no cometa, e também de mais uma morte na exploração espacial. Não deixe de ler a 1ª parte da retrospectiva. Compartilhe no Facebook. Confira:
 - Brasileiro descobre anéis num asteroide
 - O histórico pouso no cometa
 - O 1º cometa brasileiro: uma controvérsia
 - Cometa passando por Marte
 - Os acidentes da exploração privada do espaço
 - Sonda indiana em orbita de Marte


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Pesquisadores criam HD Quântico com capacidade de armazenamento de dados por até seis horas

A Universidade Nacional da Austrália e a Universidade de Otago realizaram uma parceria nas pesquisas sobre sistemas de computação quântica e criaram um novo HD Quântico que, ao invés de constitui fibras ópticas comuns e lasers utilizados para armazenar as informações emaranhadas, possui lasers em estado quântico que permite salvar os dados por até seis horas.

Esse HD Quântico foi desenvolvido com os lasers embutidos em um átomo de európio, dentro de um cristal usado como matriz, sendo possível escrever e armazenar informações por meio de dois campos magnéticos, através do spin do átomo de európio. Vale ressaltar que um dos campos magnéticos fica oscilando e o outro fica estático, cuja estrutura se assemelha com os blocos magnéticos dos HD's comuns.

Todavia, se faz necessário perceber que o período de armazenamento ainda é curto, portanto os sistemas de computação quântica devem ser utilizados somente no futuro para a transmissão de dados de alto sigilo, onde mensagens podem ser enviadas para qualquer região do planeta sem deixar rastros digitais que permitam o rastreamento.

FONTES:
Imagem: Manjin Zhong, cientista na Escola de Investigação de Física e Engenharia (RSPE).

Texto: Australian National University: Quantum hard drive breakthrough.

E os artigos "Optically addressable nuclear spins in a solid with a six-hour coherence time" e "Quantum information: Spin memories in for the long haul", ambos publicados pela revista científica Nature.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014 (Parte 1): O que marcou o ano na astronomia e na exploração espacial

Ronaldo Mourão, ondas gravitacionais, Cubesat brasileiro, exoplanetas, Órion e explosões solares

 O ano que acabou nos reservou muitas notícias boas e algumas surpresas ruins. Perdemos o maior astrônomo que Brasil já teve, mas nunca estivemos tão perto de achar um planeta que seja parecido com o nosso. Veja abaixou a nossa 1ª parte da retrospectiva que fizemos:
 - A morte do maior astrônomo brasileiro: Ronaldo Mourão
 - Cápsula Orion
 - O 1º nanosatélite brasileiro
 - O primeiro exoplaneta potencialmente habitável do tamanho da Terra foi confirmado
 - Cientistas descobriram evidencias de ondas gravitacionais
 - A maior explosão solar dos ultimos 25 anos